quarta-feira, 13 de junho de 2012

O chicote da escrita


Escrever é uma demora de vento enfurecido.
Mais do que dizê-lo, ele assim pensa.
Solta as palavras.
Umas há que, quando outras as procuram, se sentem violadas na sua intimidade.
Ouve-as, gritando umas para as outras:
- Vocês roubam-nas a nossa circunstância.
Outras, por dá cá um agá ou uma vírgula, envolvem-se em peleja sem fim.
A um canto, num espaço sem sítio, evocando emoções, há as que vão contando histórias já por outras contadas. Certezas desfeitas.
Outras, ainda, a nada pertencem, nada desejam. Não passam de distraídas abstracções.
Baralha-as.
Troca os rios da alma pelos vales e montes do espírito.
Não sabe ele quais vencerão, ou se vencedoras haverão.
Sabe, sim, ser ele o derrotado.


(Ali de cima vieram umas aqui escrever: 
Será o que somos, o que podemos ser?)

9 comentários:

Rogério Pereira disse...

Nas derrotas se aprende
as palavras que nos derrotam

Escolhamos as outras, no próximo embate
Use-mo-las com energia e arte!

folha seca disse...

Um abraço meu caro Carlos Albuquerque.
As palavras por vezes falham-nos.
Rodrigo

Marilu disse...

Querido amigo, escrever é sempre a maneira de dizer no papel o que não conseguimos fazer em palavras. Tenha um lindo final de semana. Beijocas

Fê-blue bird disse...

Um beijinho saudoso meu amigo.
As palavras também ferem.

Maria João disse...

Entre as palavras que precisam ser ditas e as que se deixam escrever, há sempre uma luta enorme, uma batalha que às vezes vencemos, outras em que nos deixamos vencer.


Um beijinho, Carlos!

maria teresa disse...

Somos seres pensantes, "palavras" existem sempre até nos sonhos!Elas precisam de ser ditas,escritas, faladas,slenciadas, gritadas...
Deixo um beijo cheio de saudades...

Rosa Carioca disse...

Sem palavras para deixar... deixo o desejo de uma feliz semana!

Brown Eyes disse...

Somos o que queremos ser e o que podemos ser. Estamos condicionados ao querer dos outros, eles interferem na nossa vida. Beijinhos

Rosa Carioca disse...

Muito Obrigada.