sexta-feira, 12 de março de 2010

Somos o que não somos?

Na idade em que o mundo nos gira nas mãos sem querermos saber onde é o seu centro, em que por muito que os ventos soprem nos não levam a imaginação, em que os sentidos ainda não estão pintados, em que nos perguntam o que queres ser quando fores grande, eu respondia: médico! Conhecera um, de quem muito gostara. Um tio meu, não licenciado em medicina, dava injecções à família, como ninguém. Tratava-nos das sezões, indicava os tratamentos para o paludismo (o quinino, sempre), curava as infecções intestinais, ensinava a livrar a água de impurezas passando-a pelas pedras de filtro de onde caía, pingo a pingo, para as moringas de barro, que a refrescavam. E, sei lá que mais! Tanto conhecimento seduziu-me. Queria mais, queria mesmo ser médico para investigar, poder ajudar quem precisasse, curar males.
Com tanta pressa o quis ser, que me distraí ou, porventura, dei saltos que não devia. O Destino (esse monstro!) trocou-me as voltas. Deixei as ciências, meti-me pelas letras. Licenciei-me na vida. Depois, na Faculdade, outros andares: os estudos sociais e políticos, a antropologia, as ciências sociais. Assim tenho caminhado, com o desejo morto de ter querido ser o que não sou.
Hoje, acordei a bordo da máquina do tempo. Fui ao passado, planeta distante, à minha procura, desejoso de saber o que falhara. Debalde! Não me encontrei. No lugar que, provavelmente, fora o meu estava um sumiço, tão só! Apenas vi outros meninos a quererem ser. O quê? A máquina não me deu tempo para lhes ouvir as respostas, trouxe-me de regresso ao presente.
Tendo assim sido, só me resta fazer-vos, amigos e leitores, a pergunta:

O que queres ser quando fores grande?


(Do Viajante, que vos deseja bom fim-de-semana)

25 comentários:

Agulheta disse...

Amigo Carlos. De verdade uma pergunta que muitos fariam...o que queres ser quando fores grande.Penso que muitas coisas realizei,outras ficaram,de uma tenho a certeza.Tive uma profissão de alto risco,neste momento estou só pela metade,mas adorei tudo que fiz.Uma das coisas que tinha gostado de ser era bailarina! Este meu gosto de voar e sonhar?Mas de tudo que fiz não mudaria nada.
Beijinho bfs Lisa

ematejoca disse...

FELIZ!

FOTOS-SUSY disse...

OLA CARLOS, BONITO TEXTO...GOSTEI...QUE TENHA UM FELIZ FIM DE SEMANA!!!
BEIJOS DE AMIZADE,


SUSY

Lala disse...

Uma pergunta eterna para toda a humanidade, não sendo a humanidade eterna.
Quando me faziam essa pergunta a minha resposta era sempre a mesma: professora. Primeiro de instrução primária, depois de Latim... E no fim? Ah, caro Carlos, no fim, acabei por ser professora, sim... Mas de mim mesma! Da minha vida. Não fui à faculdade. Não estudei para ser professora (que efectivamente sempre quis ser), mas tenho aprendido tanto, mas tanto comigo! Com os meus desamores, com as minhas cabeçadas, com as voltas ao contrário que dou, enfim, com os meus erros!
Fala-se tanto na escola da vida. è nessa escola que continuo a fazer os meus estudos - e olhe que sempre gostei muito de estudar!
De sonhos concretizados, tenho um: o de ser mãe. De arrependimentos do passado: não tenho nenhum.
Beijinho**

Filoxera disse...

Quando for grande, quero ser uma mulher tranquila, sempre calma...
:-)
Um beijo.

ney disse...

Carlos,
Muito bom seu texto. Acho que não vamos saber dizer. Mas o importante foi você dividir com todos nós essa questão, porque assim não nos sentimos sós, e sim inseridos numa corrente global em movimento.
São muitas as influências que recebemos, das pessoas próximas e do pensamento universal ao longo do tempo.
E temos todos a vida vivida e a pensada, como disse o grande Fernando Pessoa em "tenho tanto sentimento"... e sem saber a verdadeira ou a errada, vivemos de maneira que a vida que a gente tem é a que temos que pensar.
Mas, sabe, por falar em máquina do tempo, tem algo interessante que o Friedrich Nietzsche viu nela, e que concordo com ele: "A maturidade do homem consiste em haver reencontrado a seriedade que tinha no jogo quando era criança".
Bela postagem. Abraço/ney.

Sonhadora disse...

Carlos
Gostei do texto e da pertinente pergunta...mas como eu já sou grande , só paz.

beijinhos
Sonhadora

Luis disse...

Amigo Carlos Albuquerque,
Gostei do seu texto que me trouxe à lembrança querer ter sido engenheiro mas que por razões diversas acabei por não concretizar vindo a ser militar de carreira. Mas por estranho que pareça por onde tenho andado andei sempre ligado a obras... lá estava a costela da engenharia a funcionar!!!Rsrsrsrsrssrs
Um abraço amigo e desejos de um bom fim-de-semana.

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

O que sou hoje: Feliz! Sobretudo por participar desta Roda Gigante que nos permite travar amizades que até certo tempo pareciam impossíveis*
Belo texto****

***

*Se desistires do nosso amor por medo
Vou te julgar covarde e isso não combina contigo
Porque o meu homem é belo, másculo!
Se eu desistir de mim por ti
Vou te aprisionar pelo crime cometido
Pelo pesar sentido
Pelo corpo dolorido
Se desistires de mim
Abandonarás um pedaço de ti
Por não teres visto minhas lágrimas verdes*
Poema da Renata feito há tempos*

Bom Fim de Semana, Carlos*
Beijos
Renata

Maria João disse...

Carlos

Sempre soube que a minha vida profissional tinha de estar ligada às Ciências Sociais e Humanas e ao bem estar dos outros. Desejei ser Assistente social, a vida haveria de me pormenorizar a escolha e mostrar-me a direcção certa; A Enfermagem. Tenho a alegria de ter estado atenta aos sinais dentro de mim e de não ter ignorado a janela que se abriu na hora certa.

É isto que sou em grande...

Um abraço

quicas disse...

Quisera ser pequenino!...
Um abraço grande!

Mariz disse...

É nas coisas simples que nos encontramos e mais ALGUÉM!
Vim ter aqui ao seu blog, porque li o que deixou num post duma amiga querida a Ná.
Confirmei que há gente que não se confunde com outras gentes e isso é bom!
Desde pequena fiz sempre que quis e senti vontade - quer por impulso, ou talento. E todos temos inúmeros talentos!Todos, sem excepção!!
Nunca reprimi esses dons, portanto não sei o que é fazer-se algo de que se naõ goste.
Preferi auferir salários abaixo das minhas capacidades pouco do que exercer funções - ou ter um trabalho - que não me preenchessem e ainda hoje faço coisas por puro amor á camisola.
Sou talvez uma não -alinhada"! - o que não faz de mim, uma anarca.

Curiosidade: Tenho primos "Albuquerques" - do Norte..mais Viseu....

Tive muito prezer m passar por aqui. O que não irá aconecer ito mais vezes porque deixei aparanois da blogosfera e só de qudo em vez por ora, abro comentários!
Que não se sina na "obrigação" de me visitar... - essa é uma das muitas razões também..

Até sempre...
Mariz

Rosa Carioca disse...

O que quero ser quando for grande?
Criança.

Fernanda disse...

Querido amigo Carlos,

Senti grandes alegrias hoje nesta casa.
A primeira foi ter lido este texto maravilhoso... que também me remeteu às minhas memórias de infância e me levou a pensar no que sempre dizia querer ser, enfermeira.
Também fui para Letras. Amei sempre fazer o que fiz, o que faço, e sou enfermeira e médica à minha maneira.
Tento curar as feridas do corpo e da alma dos que me rodeiam, todos sem excepção.

Para responder à tua pergunta, quando crescer quero ser ainda mais altruísta e ser sempre feliz.

A segunda razão da minha felicidade foi ver aqui a minha querida Mariz.
Seguramente a minha melhor amiga e a que mais me diz em todos os aspectos. Um ser humano raro.

Beijinhos amigo e bom fim de semana.

Brown Eyes disse...

Carlos não consegui encontrar o teu post do silêncio. Vê o que se passa, gostaria de a ler

Carlos Albuquerque disse...

Brown Eyes
Julgo que te referes a uma participação na Fábrica de Letras. Devo ter colocado mal o link!
O endereço é este:

http://conversasdaquiedali.blogspot.com/search/label/Do%20Viajante%20%28O%20Sil%C3%AAncio%29

Obrigado

maria teresa disse...

Quero ser CORISTA!

http://www.beijinhosembrulhados.blogspot.com/2010/02/corista.html

José disse...

Olá Carlos, tenho passado por aqui
algumas vezes, mas não tenho comentado, e a resposta que vou dar à sua pergunta repondo também.
Eu quando for grande gostava de saber escrever como o Carlos escreve.

Um abraço,
José.

Manuela Freitas disse...

Olá Carlos,
Gostei muito do texto...a pergunta inevitável «o que queres ser quando fores grande?» Eu lembro-me de dizer que queria ser trapezista, achava o máximo, quando ia ao circo, ver a coragem que tinham, depois vinha aquela música de suspense e as pessoas todas a olhar para cima expectantes!...Depois a vida foi-se tornando mais realista e foi-me levando por caminhos até nada apetecíveis...
O que quero ser quando fôr grande?

Alguém merecedora de atenção e afecto,
Um grande abraço,
Manuela

Amapola disse...

Bom dia, Carlos.
Eu quero que Deus permita que eu continue me comunicando com pessoas iguais a você... que tem histórias pra contar, e está fazendo isso agora.
Isso é compartilhar, e quem compartilha soma.

Um grande abraço.

Laura disse...

Olá Carlos, uma utopia na verdade, mas responderei o queria ser se a vida me dese de novo a oportunidade de recomeçar..


Queria voltar á minha terra amada
começar do zero
ser mais sabida que agora
que aos vinte anos
nada se sabe ainda
queria poder ajudar a todos
e lembrei neste momento
que trabalhei voluntáriamente
num Hospital em Serpa Pinto
cortei roupas da Cáritas
e adpatei-a aos corpos das meninas
dos Bochimanes
cosi montes de bainhas
apertei alarguei, desmanchei
e elas estavam lindas
e eu nem me envaideci
porque a vida é assim
ajudei sem nada receber
e isso preencheu em mim
o tempo de vida que a vida me deixou dar
ah, Carlos
queria voltar á minha terra
somente para amar!
e poder nela repousar!

Um abraço da laura que em menina queria ser professora mas a minha profesora cortou-me os sonhos porque sendo surda, não me deixou fazer o exame da 4 classe,(eu era inteligente e das melhores da classe) só isso.Isso faz-se a uma menina tão sonhadora? pois não, mas fez-se e destruiu o meu futuro futuro que ainda hoje não tenho. Mas nem me assusta!Porque confio na vida que a todos rege, encaminha e ilumina..

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Eu sempre sonhei ser aquilo que nenhuma Univerdsidade nos pode garantir: Ser feliz

Ana Karenina disse...

Olá carlos

estou feliz em estar de volta ao seu blog.

quanto a sua pergunta neste post acho que respondi parte dela no post que fiz semana passada "um diploma: uma conquista de uma vida"

Mas acrescentando o raciocínio, quando somos pequenos temos mania de agigantar nossos desejos profissionais, queremos tudo sem saber ao certo o que nos cabe.quando crescemos parece que o mundo perde um pouco da magia infantil: deixamos de acreditar em sonhos e fantasias e passamos a viver possibilidades e realidades.

Quando se é grande e pequeno, todos querem a mesma coisa: felicidade, o que varia é o meio de se conseguir isso, o que varia é a forma como alcançamos isso ou simplesmente passamos a vida inteira buscando...buscando a plenitude que sonhamos um dia quando ainda éramos crianças. :)

Ps: a verificação de palavras acho que pode ser retirada.

Um abraço.

Sofá Amarelo disse...

Acho que aquilo que sou hoje... sou e tenho o que acho deveria ser e ter...

O maior abraço!!!

redonda disse...

Cheguei pelo link do Crónicas do Rochedo (não sei se antes já poderei também ter passado por aqui).
Gostei do que li e espero que fique bem.
Parabéns pelo aniversário seu blog.

Gábi