segunda-feira, 23 de abril de 2012

Do Mwata (Cocos e Cálculos)

Porque julgo ser o texto que o Carlos me enviou a vós dirigido, aqui vo-lo deixo: 
estafilococos aureus
“Sabe não ser eterna a veste que usa, a carcaça com que se cobre. Dura quanto tiver que durar. Mas há, sob ela, um corpo real que sente. Anda, alheio, na missão que se impôs, quiçá inútil, de desenhar a geografia da realidade, sendo tal, porventura, a razão de um destino. Por isso se pergunta: Onde é que o Universo é ele, a Terra ela é, e ele, ele próprio tem que ser? Não sabe se o destino foi, ou é, fruto de arquitectura trabalhada na forja de deuses ensandecidos ou resultado de uma imbecil incúria médica. Sabe, sim, que a terrível e predadora bactéria que dá pelo nome de estafilococos aureus voltou a implantar-se, enfraquecendo-a, na estrutura óssea que lhe suporta a prótese total da anca esquerda. Na arrecadação do espírito, no sótão da alma, para onde migra de quando em vez, encontrou artes para o combate e foi vencendo, batalha a batalha, incluindo as com o médico que não passa de capataz duma companhia de seguros. Não é uma guerra ganha. Este cocos é recidivante e oportunista. Ataca à mínima debilidade do hospedeiro, como já o fez, por várias vezes, forçando a remoção e substituição de próteses. De há uns tempos para cá tem aparecido enfraquecido (assim parece…), fruto, talvez, das 60 sessões de oxigenoterapia na câmara hiperbárica do Hospital da Marinha. É que, diz quem julga saber destas coisas, o aureus foge do oxigénio como o diabo da cruz. Sustido o cocos, logo irrompeu a litíase renal bilateral. 
cálculo renal
Cerca de três semanas com uma cólica renal violenta. Duas idas às urgências hospitalares. Tudo tentado, nada resultando, cirurgia marcada com utilização de cateter para condução de um lazer com o objectivo de “ir à procura” dos cálculos, no dizer do médico especialista. Dois dias antes as “pedras” forçadas pela pressão do liquido drenado pelo rim, e aproveitando a boleia da força da gravidade, resolveram vir por ali abaixo, rasgando ao som da dor. Três! Uma pequenota, outra com seis milímetros, a terceira com um centímetro de largura – o dobro do diâmetro do uretere! A dor foi passando, o rim desinflamando. Grande rim, verdadeiro resistente! Desmarcada a cirurgia. Não será desta vez que a equipa de urologistas (quatro) irá “à procura” dos calhaus. Vencidos os furacões, tudo está de regresso à normalidade. Muito lentamente, ainda.”
Pediu-me ele para vos dar a explicação da ausência, e, também, a todos um grande abraço. 

8 comentários:

São disse...

Amigo querido, eu já andava preocupada com a sua ausência!

Sabendo por experiência própria que dores lancinantes pode causar uma cólica renal o abraço solidariamente.

As melhoras, Carlos.

Maria João disse...

Imaginei...

Havia algo que me dizia, que era a sua saúde ( a falta dela), que o fazia tão ausente.
Suspeitei do "cocos", sei o quanto ele, uma vez instalado, a muito custo abandona definitivamente o seu hospedeiro. E se isso não fosse o bastante, foi ainda acometido por uma das dores, descrita como das mais lancinantes. As mulheres que já a sentiram ( o que não é o meu caso), referem preferir dar à luz dez crianças do que ter uma só crise de cólica renal.
Sendo a carne, coisa, definitivamente, fraca, resta-nos o espírito são para lutar contra todos os “invasores”.
Estimo que recupere o mais rápido possível. Desejo-lhe força e coragem, mas, o Carlos, tem já dado inúmeras provas de que tal não lhe falta.

Um beijinho grande
desta Sua amiga

acácia rubra disse...

Carlos

Já não chegava uma... logo duas e que boas!

Primeiro o “coccus”… que não comento mas que sei, pelas implicações) como te deve ter prostrado; depois os pedregulhos… (não podias ter arranjado uns diamantes?)

Tenho a experiência de uma cólica renal e chegou-me pela dor, impotência (estava sozinha com a minha filha, na altura com 4 anos,e com um sobrinho de 10, numa casa longe de tudo) e susto pois tive de conduzir desde o Sátão até Aguiar da Beira ( o Centro de Saúde mais próximo da família, que me ficasse com os garotos), sendo depois transferida para Viseu. Se na mulher é terrível, no homem é bem pior. Posso dizer que foram 'as minhas piores dores'.

O importante é estares já a melhorar. Fico mais descansada. Como te disse anteriormente os silêncios angustiam-me.

Com carinho, um beijo

Laura

Rogério Pereira disse...

Depois da tua sofrida ausência e da incerteza do que a motivava agora o sofrido ler dessa explicação, certamente mais sofrida pelo que a sofreu. E sente? Espero que não, e tudo tenha já passado. Foi um mau bocado. Por cá as interrogações sobre a razão da tua ausência ia preenchendo mails. E eu ia dizendo "não é homem para não superar o quer que seja"...

Que assim seja. Abraço.

NOTA: A mim essa radiografia diz-me tanto quanto dizia ao médico que te assistia :))

folha seca disse...

Caro Amigo Carlos Albuquerque
A vida tem etapas difíceis. Esperemos que o meu caro consiga vencer mais esta.
Abraço solidário (por não ser capaz de escrever mais nada).
Rodrigo

TERESA SANTOS disse...

Querido Mwata,

Sabia, sentia que algo de errado se passava contigo.

Mas sei que és um lutador, mas sei que te agigantas quando a tormenta aperta, e sei, tenho a certeza, que vais ultrapassar mais esta (quantas já foram ultrapassadas?!) fase que é tudo menos boa.

Rápidas melhoras, muito rápidas.

Pedir-te que tenhas força?
Um atentado à tua coragem!

Abraço grande, muito grande, meu Mwata.

Marilu disse...

Querido amigo, estimo suas melhoras. Beijocas

Daniel Cândido da Silva disse...

Carlos,

"Na arrecadação do espírito, no sótão da alma, para onde migra de quando em vez, encontrou artes para o combate e foi vencendo, batalha a batalha".

Pelo que "conheço" de si, mesmo quase nunca ou mesmo nunca comentando, a fibra está-lha na alma, e encarar com poesia, determinação e humor este seu "interregno" meramente físico, é garante de que daqui a uns anos poderá repetir um post idêntico pelas recidivas que lhe podem acometer, como por outras palavras, diz, mas reflexo de que continua vivo... mesmo que com estafilos ;)

Um abraço