segunda-feira, 17 de maio de 2010

Regresso de férias (A Viagem)


Ao regressar muitos comentários aqui encontrei! Em todos, a simpatia e as palavras amigas de quem os enviou. Alguns trouxeram, também, a oferta de um selo, que irei editar em post. Sinto-me feliz ao ver-me rodeado por tanta amizade. Sou um bloguista sortudo! Obrigado a todos. Permitam, agora, que vos vá deixando algumas impressões.

A Viagem

Bagageira arrumada. Saídos da garagem deparou-se-nos um céu com os estores corridos. Pingava uma chuva miudinha, metediça e fria, soprada da borda da lezíria. Não permitimos que a desilusão nos embaciasse a vontade. Viéramos do sítio de onde estávamos, querendo partir e chegar ao destino que nos propuséramos, trezentos quilómetros a Sul. Imaginei, então, o que de momento não podia ver: mais adiante, por certo, o tempo estaria melhor. Puro engano! Ao chegarmos ao portão da auto-estrada chovia que Deus a dava!
Deus passa a vida a dar e a tirar, hoje não será excepção, disse para comigo, tentando convencer-me. Novo equívoco! Este era o dia do Seu descanso, tempo para os deuses suplentes se divertirem com os dois viajantes solitários. Não satisfeitos com a chuva, puseram-se a soprar ventos desencontrados! Olhar posto no horizonte alagado, libertou-se-me um gemido de resignação.
Tão harmoniosamente quanto possível, e habituado que está a alguns feitos, o carro foi rolando. Poucos quilómetros vencidos ao som do vaivém irritante dos limpa vidros, olhei para cima. Lá estavam elas, as nuvens, de mau humor, quais carrancas, desenhando rostos de mil e uma expressões severas. Algumas, provavelmente resultantes de acabamentos apressados, mais pareciam gravuras rupestres. Virando os olhos para o lado, na busca do mato em redor, nada se via, nem sequer uma carqueja ou uma giesta! Lá fomos prisioneiros daquele comboio de vapores suspensos, que parecia vir do Infinito e para ele voltar, conduzindo-nos por um rio de águas buliçosas, como a caminho de um buraco negro. Apeteceu-me dizer: hoje também eu vou andar sobre as águas!
Mais ou menos por alturas do meio do percurso, chegou-se-nos a vontade de amansar o ronronar do estômago. O espírito ainda se aguentara, mas a carne cedera! Na “Área de Serviços”, o mau como de costume – comeres desprovidos de sabor e caros! Ao chegar a uma “Área” destas, tenho sempre a sensação de me estar a encontrar com uma qualquer civilização perdida. Porque se não põe ordem naquilo?!
Bebida a bica, de novo rodas na estrada. As nuvens continuavam, cada uma engendrando outra, ligando-se numa imbricação sem fim. Uma vez mais o confronto com um acesso de fúria dos céus. Agora já não chovia que Deus a dava, mas mais. A água caía de cima, soprava dos lados, até do asfalto parecia nascer. Era tal que até os cães, se por ali andassem, a beberiam de pé!
Assim foi sendo até chegarmos ao destino. Aqui, uma surpresa: a avenida do hotel, bordejando o Atlântico, fora transformada em zona pedonal com calçada à portuguesa, resultante da Requalificação da Beira-mar, a que meteram ombros a autarquia, o ministério da Economia e o Fundo de Turismo. Dá gosto ver a obra que ali foi feita. Ponham-se lá mímicos, actores, músicos, floristas e a alegria catalã, e, de repente, passe o exagero, até nos poderemos imaginar nas Ramblas de Barcelona! Neste País (calai-vos profetas da desgraça!) ainda se trabalha, e bem! Para que melhor víssemos o belo que aquilo ficou a chuva cessou, não nos saciando, embora, a fome de céu azul. Não! Lá por cima permanecia tudo escurecido, só que as nuvens já não desenhavam rostos de expressões sorumbáticas. Estavam, agora, assemelhando-se a fantasmas fugidios, porventura recolhendo-se, sabe-se lá aonde, levando com eles os regadores.
Depois de instalados fomos à demanda do restaurante para o jantar. Encontramo-lo quase cheio, mas ainda com uma mesa para dois, em local aprazível. Encomenda feita reparámos que a sala estava cheia com gentes locais: irlandeses, escoceses, ingleses e canadianos. Recém-chegados da portuguesa e bela Região do Oeste, éramos os únicos estrangeiros!

18 comentários:

MIUÍKA disse...

Meu querido amigo,agora que se acabaram as pequenas férias,espero que se sinta melhor e que a sua recuperação esteja indo bem.
Passei para agradecer as suas visitas e comentários sempre agradáveis,só peço que me desculpe dos meus atrasos em responder,pois por este lado a saúde também não anda muito famosa.
Uma boa semana com um beijinho da amiga...Miuíka

Fernanda disse...

Querido amigo Carlos.

Vim só dar-te as boas vindas, estou cansada!
Amanhã virei ler as tuas aventuras.

Beijinhos

Elaine Barnes disse...

Bem vindo! Só você mesmo para contar uma viagem com tanta riqueza e encanto. Você é demais! Minha filha menor mora na Irlanda,pensei nela quando terminei de ler. Obrigada amigo! Montão de bjs e abraços

Zen disse...

Olá Carlos, pelo que estou vendo você está ótimo.As férias te fizeram muito bem.Fico contente com teu regresso! Até breve.Bjs.Zen.

Luis disse...

Meu Bom Amigo Carlos Albuquerque,
Adorei a sua viagem! A descrição foi de tal forma vivida que me pareceu estar a acompanhá-lo! Deve ter sido um pouco cansativa com tanta chuva e vento a segui-lo. Espero, no entanto, que durante as mini-férias se tenha recuperado e que no regresso a viagem tenha sido melhor. Apreciei o seu bom humor a propósito dos "naturais" no restaurante e o meu amigo ser o estrangeiro.
Continuação de boa saúde e um abraço amigo.

rosa-branca disse...

Olá amigo, ainda bem que acabaram as suas férias, já tinha saudades de o ler. Espero que venha viçoso capaz de escrever e descrever as suas crónicas que tanto nos encantam. Espero também que tenha recuperado bem. Beijo meu

Deixo uma rosa branca para o seu dia.

maria teresa disse...

A viagem pode não ter sido a idealizada mas foi uma benção dos deuses para mim! Senti-me fascinada ao ler este poético e tão sereno (pode parecer uma contradição) relato de viagem.
As águas em "fúria" descritas por si, fazem-me vê-lo como um homem sereno em situações menos agradáveis.
Bem-haja por me ter dado a ler (nos ter dado)esta descrição, ela é um pedaçinho de si!

Abracinho

Rosa Carioca disse...

Olá, boas-vindas! Continuação de muita saúde!

(CARLOS - MENINO BEIJA - FLOR) disse...

Que bom que voltou das férias merecidas, xará. Energias renovadas, ,sinal de bons textos bons de novo. Seja bemvindo. Um abração

Beta disse...

Olá!!!
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Fernanda disse...

Querido amigo Carlos,

Como é bom ler os textos que escreve.
Esta narrativa, apesar de ter alguns dissabores pelo meio, a chuva e as ventanias, está tão bem escrita que ne deu a ilusão se ter estado presente e ter sentido e vivido as mesmas emoções e sensações.

Continuação de óptima recuperação.
Beijinhos

MARIINHA disse...

Olá Carlos,
Mas com toda essa chuva, as férias foram boas? Deu para descansar? E como é que se sente, com mais força? Espero sinceramente que sim. Rápidas melhoras.Obrigada por ter passado pela Mansarda.

Um abraço

Malu disse...

Umas férias, assim, tão bem descrita nos deixar querendo sair de férias também.

Espero que estejas bem,Carlos e que estes dias de veraneio tenham te feito carregar-se de boas energias.

Beijinhos

ematejoca disse...

Cheguei agora a casa muito cansada, por isso não deixo comentário, mas sim, um beijinho de parabéns para a sua neta mais velha.

Graça Pereira disse...

Amigo Carlos
Eu acho que...sorrateiramente entrei no vosso carro porque eu...acompanhei tudo....as nuvens cinzentas...aborrecidas...a torneira do céu aberta até mais não...(não sei como será a factura da água este mês...mas São Pedro..é um mão rotas.)O desconforto da comida celuloide...mas, a chegada triunfal com boas surpresas, o ser os únicos estrangeiros...num restaurante bem frequentado...compensou a viagem cansativa...mas também quando se vai para férias... o espírio tambem se prepara...e aceita todos os pequenos contratempos...
O que é preciso é que já estejas a 100% para continuares a deliciar-nos com a tua escrita...
beijo
Graça

Fernanda disse...

Querido amigo Carlos,

Vi-te agora noutro lado e deu-me uma saudade grande.
Vim dizer-to, senti essa necessidade.
Sei que tens problemas em entrar no meu Blog, não és o único.
Já fiz tudo (penso eu) para eliminar a carga excessiva, mas os computadores com uma placa mais fraca não conseguem mesmo entrar.

Fico com as minhas visitas e a leitura dos teus sempre excelentes textos.

Beijinhos

Filoxera disse...

Seja bem-vindo de volta.
E que a recuperação da saúde também se faça por bons caminhos.
Beijinhos.

TERESA SANTOS disse...

Querido Mwata,

Isso não foi uma viagem, foi uma odisseia.
Lembrei-me imenso de ti naqueles primeiros dias: é que o tempinho estava mesmo mau!
Mas pronto, em termos gerais, parece que deu para descansar, mudar de ares!

Abraço grande.