
Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Sou um evadido.
Logo que nasci
Fecharam-me em mim,
Ah, mas eu fugi.
Se a gente se cansa
Do mesmo lugar,
Do mesmo ser
Por que não se cansar?
Minha alma procura-me
Mas eu ando a monte,
Oxalá que ela
Nunca me encontre.
Ser um é cadeia,
Ser eu é não ser.
Viverei fugindo
Mas vivo a valer.
Logo que nasci
Fecharam-me em mim,
Ah, mas eu fugi.
Se a gente se cansa
Do mesmo lugar,
Do mesmo ser
Por que não se cansar?
Minha alma procura-me
Mas eu ando a monte,
Oxalá que ela
Nunca me encontre.
Ser um é cadeia,
Ser eu é não ser.
Viverei fugindo
Mas vivo a valer.
(Antes de partir o Viajante pediu-me que desejasse a todos uma boa semana)
15 comentários:
Brilhante a forma como introduz este filosófico poema de Fernando Pessoa.
Espero que, "sendo" em permanente devir, de ser não se canse - afinal, o lugar de ser, sendo em devir permanente, não será nunca o mesmo!
Abraço
Êita fuga!"Ser eu é nao ser" Bem,o poema está muito bem escrito e é o sentimento do autor que aqui está.Isso é importante e acima de qualquer comentário. Achei sensacional. Montão de bjs e abraços e gostaria muito que visse o meu primeiro post no bloggirls
http://asmeninasdoblog6.blogspot.com/
Ficarei bem mais feliz.
Querido amigo Carlos,
Fabulosa a tua introdução e o poema de Pessoa.
Fuf«gir nunca foi solução, mas entendo no contexto o que o poeta quer dizer.
Também já me senti cansada e fugi de mim, mas voltei mais forte a revigorada.
Beijinhos
Ná
Na casa do rau
Muito original essa entrada, Carlos. Boa semana!
O viajante "falou" como um sábio e a mim só me resta agradecer-lhe com o coração.
Abracinho
E leu muito bem. Fernando Pessoa - na minha humilde opinião - conhecia a alma humana como ninguém. Cada poema tem algo nosso, no princípio, no meio, no fim, não importa. A essência do ser está sempre presente.
Felicito o viajante, pelo momento oportuno em que se cruzou consigo.
Um beijinho :)
Olá amigo Carlos, passei para lhe deixar uma rosa do meu modesto jardim. Tive o cuidado de lhe tirar os espinhos. Fernando Pessoa o viajante do tempo, do seu, no nosso tempo. Beijo meu com muito carinho
Carlos
É por estas e outras tantas razões que eu gosto muito de Pessoa. Ele conseguiu ser tão lucido na sua loucura...
Entre a vida vivida e a pensada, resta esta, a possivel, mesmo que isso, às vezes, nos dou tanto.
E sim, interrogamo-nos sempre e haverá muitos dias em que só o Viajante consegue dar-nos a resposta, sábio que é!
Um abraço
Venho agradecer a maravilhosa viagem que me proporcionou, com a sua visita, lá no meu blogue.
Viajei no tempo e sinestesias múltiplas estiveram ao alcance de cada frase lida e por si escrita.
Obrigada!
Amigo Carlos. De volta por aqui depois de alguns dias privada deste espaço.O viajante nos deixa palavras como só ele sabia tentilhar com sua mão e caneta,as palavras que escreveu.Reparei que não consegue abrir alguns blogs! Penso que por vezes outro motor de busca seja a causa,já me aconteceu com alguns blogs,depois foi resolvido.
Beijinho de amizade Lisa
Por aqui passei e deixo um abraço!
Querido amigo Carlos,
Sei que não consegues entrar, mas eu tenho um selo especial para ti.
Gostava que o aceitasses.
Não sei se tens e-mail no teu perfil...eis o meu - nafer1951@gmail.com.
Beijinhos
Ná
Carlos... Amei, me senti viajante aqui! Quanto ao livro, você vai ao dia tão almejado... Gostei demais de sua poesia inteira... assim como nesse trecho:Sou um evadido.
Logo que nasci
Fecharam-me em mim,
Ah, mas eu fugi.
E vivo a fugir
"Cavaleiro monge
Por quanto é sem fim
Sem ninguém que o conte
Caminhais em mim."
(Fernando P.)
É caso para dizer "viajante, volta depressa!".
Postagem muito bem conseguida!
Abraço
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