
Sempre que a data se aproxima o silêncio da solidão envolve-me, incapacita-me.
Dezoito anos passados repito, de mim para mim.
O Paulo partiu, andava eu por longe.
Só cheguei a tempo de lhe dar um beijo sem retorno.
Consome-me a ira pela sua morte; não vivera ainda 25 anos.
Dói-me o meu ser, em sofrimento.
Choro a ausência do filho, na solidão da amargura, na impotência de o não ter evitado, na angústia de não o voltar a ver, na revolta por ter ficado por ouvir e dizer tudo o que ficou. Choro na minha pequenez incapaz, por ele ter ido sem um último adeus.
O que sempre vem à tona é um vazio cheio dele; uma tormenta que me açoita e me persegue. Só a disfarço, nas noites de insónia e no virar dos dias, levando-me ao engano, fingindo.
A quem peço contas pela injustiça?!
Que ouvidos me ouvem, que olhos me vêem?
Para onde dizer tenho eu, agora, senão para esta cova profunda, e só, que me devora o peito:
Olá, Paulo!
29 comentários:
Carlos
Não imagino a sua dor. Não sou capaz!
Há muitos anos atrás, numa noite de agonia interior, enquanto velava o sono agitado do meu filho doente, imaginei-me sem ele, a perdê-lo …. e chorei convulsivamente. Nessa noite aprendi que há dores que não se imaginam.
Fico-me por isso em silêncio, pensando nas palavras que acabei de ler.
Sei, que a maior parte das vezes, a forma de estar mais perto daquele que sofre, é ficar apenas na comunhão do silêncio.
Não Carlos, meu amigo, não imagino o que sente. E não, não quero imaginar!
Um abraço fraterno
Carlos, acredito que podes dizer tudo o que queres, onde quiseres, que o Paulo te irá ouvir; é a minha crença que, como já escrevi no meu estaminé algumas vezes, serve-me de algum consolo.
De resto, consigo sentir a tua dor através das letras e ideias do teu texto e resulta numa franca homenagem ao teu amigo/familiar.
Grande abraço.
Carlos
A morte de um filho deve ser a dor mais irremediável. Não tenho palavras, apenas um coração solidário.
Bjs
Como eu o compreendo, caro Carlos. Nem imagina quanto...
Um fore abraço
amigo querido e lamnetavel ador que sentes mais tbm se compreendes que jamais será esquecido o teu querido paulo!bj marcia.
Receba meu abraço fraterno e contido, meu amigo.
E hoje o seu Paulo fica em minhas orações.
Beijos
Entendo-te. Acredita.
Aceita o meu abraço solidário.
Hum... difícil...
Oi, Carlos
Perder um flho deve ser a pior dor...
Deus lhe dê conformidade!
Somos pó e para o pó voltaremos...
Abraços consoladores e cheios de respeito aos seus sentimentos tão doloridos!
Um abraço muito apertado para Si e para a Mãe...
Não ouso dizer que entendo o que sente, porque a dor é sua, como diz uma música "o dono da dor sabe o quanto doi", mas posso abraçá-lo e deixar minhas condolências
A todos os que por aqui passaram o meu obrigado pelas palavras deixadas.
Uma perda é, sempre, perda, irremediável!
Abraço solidário
Oi Carlos,
De cara ao vir te conhecer encontro o triste relato da perda de um filho.
Todos que passaram por isso dizem a mesma coisa, não pode haver dor maior, a vida jamais pode ser a mesma.
E nestas horas sempre nos faltam palavras, o que dizer para quem sofre uma perda assim???
Não sei, perdoe-me mas eu nunca sei.
Posso dizer que ganhaste mais uma amiga de blog, mais uma seguidora e sempre que precisares "falar" ou "ouvir", estou a disposição.
Obrigada pelo carinho no meu blog, suas sinceras palavras também me fizeram gostar muito da pessoa que desenhei em mente.
Abraços e muita força,
Kenia.
A morte de um filho é um escândalo porque é anti-natural! É normal os filhos verem partir os pais...o contrário deve ser uma dor irresistível de suportar....Contudo, a minha fé faz-me acreditar que há razões que não podem ser entendidas e nem explicadas... e nessa mesma linha eu acredito numa "comunicação dos santos" na qual, quem partiu...nunca nos deixa e são os presentes mais vivos no nossa vida!
O meu abraço solidário,Carlos!
Graça
Carlos,
Abraço de um benguelense que no silêncio desse kandando apertado e fraterno sente aquilo que não consegue explanar por soar a nada perante tanta dor.
Bem hajas
Carlos, se há alturas em que o silêncio é a melhor palavra, serão com certeza estas. Deixo-lhe um abraço apertado, silencioso e solidário. As dores não se comparam, amparam-se. As dores não se entendem, confortam-se.
Muita força!
Para o Paulo, um ramo das minhas flores.
Para o Carlos, um beijo
Costumava dizer para minha mãe que gostava de morrer antes dela, pois não a queria perder. Ela sempre respondia que não sabia a dor que me causaria... Infelizmente, já senti a dor de perder meus pais e meus filhos... O que posso dizer-lhe? Apenas que deixo-lhe um forte abraço.
Teu poema muito me emocionou. Essa, acredito eu, é a maior de todas as provações a que pode ser submetido um ser humano. Aceite minha solidariedade.
Um beijo, um abraço fraterno. Inté!
Carlos
Passei por aqui...
deixo o meu silêncio.
Muito teria para te dizer..mas é bem dificil fazê-lo.
Com muito carinho o meu beijo
Eu sei muito bem como fica um coração de PAI e de Mãe, por muitas palavras de consolo que se tenham, nada, mas nada mesmo consegue aliviar a dor e por muito que se tente disfarçar, nunca se consegue no seu todo, quanto mais esquecer...
Num abraço,compartilho consigo a sua dor...
Fiz uma postagem acerca de si,peço desculpa se será inconveniente.
Meu amigo
Perante o seu desgosto, não há palavras, todas as outras dores não são nada.
Deixo um beijinho com carinho
Sonhadora
Amigo Carlos:
Vim aqui ao seu blogue movida pela saudade. Saudade das suas palavras, dos textos maravilhosos que, de forma mágica, me fazem viajar. Me emocionam.
E, desta vez, emocionei-me, muito para lá do que supunha, também por uma saudade. A sua.
Estão sempre connosco, os que partiram. Mas a dor dilacera...
Deixo-lhe um forte abraço cheio de carinho.
No silêncio da comoção que senti ao ler-te vai um forte Abraço, porque não há palavras que apaziguem tamanha dor...
sou Mãe... nem quero imaginar.
Bj0
Há sentimentos impossiveis de transmitir, por isso, recolho-me no silêncio do respeito.
Abraço, querido Mwata.
Um dia, Carlos, já lá vão uns bons anos, pari um filho no meio de gritos, de dores inimagináveis, porque a situação era clinicamente complicada.
Senti-o dentro de mim durante seis meses, os seus pontapés, ouvi o bater do seu coração que teimava em viver. Preparei-lhe um enxoval, meio à pressa, rebuscando a arca que guardava as primeiras roupinhas das minhas filhas. Não sabia na altura que seria um rapaz.
Então decidiu nascer sem grandes avisos, apressado, fora do tempo que não era o nosso. Senti-lhe as voltas no meu ventre, senti-lhe essa pressa, e quando finalmente o vi, apenas de costas, não lhe ouvi sequer o respirar fraquinho, prenúncio do seu fim. Viveu poucos minutos. Chamei-lhe Paulo.
Poderia hoje desenhar, se soubesse, aquele instante breve em que o vi. E tenho guardada, comigo, a certidão que prova que, um dia, tive um filho. Leio-a de vez em quando, não para me lembrar dele, mas porque me faz bem. A dor, essa é a mesma de há 25 anos.
Um abraço
Teresa
Não tenho palavras para lhe dizer como me senti ao ler o seu grito de dor.
Deixo aqui um poema do meu livrinho, escrito em 2004.Fala de saudades.
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MEMÓRIAS E SAUDADES
Bem sei que será preciso
Viver sem o teu sorriso,
Não mais sentir teu abraço,
Nem nada.
Caminhar com a saudade
Sem tua presença amada,
Resistir à dor que invade,
Sem nada.
Lembranças que voltam sempre,
Saudade que não se acaba,
Desejando ouvir teus passos,
E nada.
Voltar sozinha no tempo,
Lá no ponto de partida,
Sentindo-me assim ferida,
Mais nada.
.........
( by Maria das Neves)
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