sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Egipto

Sim, talvez, logo se verá, foram dizendo os dirigentes europeus, cautelosos e excessivamente tímidos, como sempre, revelando ao mundo uma confrangedora falta de liderança política, inteligente e credível
Não o queriam os falcões israelitas, outros ditadores árabes, e a direita norte-americana de pensamento trauliteiro e conservador.
Mas, quis o povo egípcio, que se manifestou nas ruas tendo apenas a palavra como arma no clamor da indignação contra a ditadura que há trinta anos o oprime.
E Hosni Mubarak caiu!
Dezoito dias depois de iniciada a contestação popular, tempo que Mubarak, mais do que a agarrar-se ao poder, terá passado a negociar e a garantir o seu futuro, o Egipto fora libertado. Logo se fez a festa nas ruas, como não há memória.
Por toda a parte, em especial pelo Mundo Ocidental, se pergunta agora: O que virá a seguir? A pergunta radica no receio, não desprezível, de que o Egipto possa optar por um regime islâmico. Receio alimentado, igualmente, pelos que dizem serem os árabes e os muçulmanos incompatíveis com a Democracia.
Um dado a considerar é que, ao longo dos dezoito dias, em nenhuma das muitas imagens mostradas pelas televisões, ou nas inúmeras notícias que foram chegando, de agências e de enviados especiais, se viu um único sinal de presença islâmica, cujo radicalismo não tem por hábito esconder-se.
O mundo não é o que era há vinte e quatro horas atrás, está em constante mudança. Os mundos Árabe e Muçulmano não serão excepções. Estão já anunciadas manifestações para a Líbia, Argélia e Marrocos. A História está a escrever-se a uma velocidade que se não compadece de quem a não queira entender.
No caso do Egipto a História registará como heróis ninguém mais do que os jovens, que abertos ao acesso à formação, ao conhecimento e à comunicação universal, hoje imparável, se cansaram de viver sem trabalho e liberdade, e querem uma vida com dignidade e justiça.
O que virá a seguir? A pergunta continua, pertinente e mordente. Esperemos e desejemos que o que está a acontecer no Egipto seja a abertura de uma janela para a Democracia, e que os egípcios a consigam construir sem preconceitos.



11 comentários:

ematejoca disse...

O Hosni Mubarak lá se foi embora depois de 18 dias de luta.
O que é que vem a seguir?
Uma ditadura militar ou a islamização do Egipto?
Não acredito nos princípios democráticos da maior parte dos grupos oposicionistas.

A Irmandade Muçulmana, a principal força da oposição no Egipto é uma organização islâmica fundamentalista, que se opõe radicalmente às tendências seculares de algumas nações islâmicas como Marrocos, o Líbano, o Egipto e a Turquia, rejeitando as influências Sufi e o chamado "Islamismo Moderado".
O lema da organização é: "Alá é o único objectivo. Maomé o único líder. O Corão a única Lei. A Jihad (Guerra Santa) é o único caminho. Morrer pela Jihad de Alá é a nossa única esperança".

A renúncia do Presidente Hosni Mubarak é o começo de uma nova etapa na história do país. Pois bem — gostava de saber o que significa para as mulheres egípcias essa nova etapa.

Rogério Pereira disse...

Escreveu: "O que virá a seguir? A pergunta continua, pertinente e mordente..."
Digo eu : Estou apreensivo mas não pessimista. Acredito que os "donos da solução" saberão encontrar o caminho... Mas cuidado, quem sustentou o regime de Mubarak faz sempre contas ao retorno do investimento... e opera sempre para o tornar produtivo.

ematejoca disse...

Não sou uma futuróloga descrente, sou sim, uma CASSANDRA moderna.

A queda das ditaduras não me é indifente — o meu post actual, também tem a ver com a queda de uma ditadura, só que a emenda foi pior do que o soneto.

Se os cravos de 74 ainda não murcharam, porque é que os portugueses estão sempre a dizer mal do nosso país e dos seus políticos — produto do 25 de Abril?

Abraço da amiga de longe!

São disse...

Esperemos que O Egipto consiga dar-se como exemplo de um país livre e respeitador de direitos humanos.

Mas não esqueçamos que existem jogos de bastidores , com muitos interesses cruzados.

Bom fim de semana.

Carlos Albuquerque disse...

ematejoca

Pronto, está bem!
Não é uma futuróloga descrente, mas uma profetisa crente dos tempos modernos.:)

Sei, pelo que de si vou conhecendo, que a queda das ditaduras também não lhe é indiferente. Pelo menos nisto, e não é pouco, estamos de acordo! Só não entendo porque considera a queda de Mubarak pior a emenda que o soneto. O soneto foi bem conhecido, a emenda não se sabe como será. A sua opinião é uma profecia?

Quanto à pergunta sobre os cravos de Abril, ela contém, em si própria, a resposta. Estivessem os cravos murchos ou mortos e não se ouviriam as vozes que se escutam. Reinaria o silêncio imposto, como em tempos idos, de má memória.

Um abraço do amigo de longe!

Carlos Albuquerque disse...

Rogério Pereira
Completamente de acordo!

São
Pois é, um dos busílis, se não o principal, está mesmo nos jogos de bastidores...
Obrigado.
Bom fim-de-semana (escrito ainda pelo antigo acordo), para si também.

ematejoca disse...

A Angela Merkel não quer saber o que pensam as mulheres egípcias, nem mesmo quer saber o que pensam as mulheres alemãs.
A única coisa que interessa à nossa Angie é continuar na poltrona do poder.

Mas Carlos, não me refiro à queda de Mubarak, quando digo que a emenda foi pior do soneto que o soneto. Refiro-me sim, à queda do Xá no Irão há 32 anos.
E eu que ainda andei à pedrada com a polícia, porque queria a queda do Xá. Pecados da juventude!

Não quero que a minha opinião seja uma profecia, porque ainda tenho uma pontinha de esperança no que respeita o futuro do Egipto.

Pois bem ~ agora vou esquecer a Merkel, as mulheres egípcias e os cravos, não murchos, mas com pouca àgua, e vou fazer uma Rundgang na Academia de Belas Artes de Düsseldorf.

Volto já!

MARIINHA disse...

E nós em nossas casas assistimos a esta grande mudança. Realmente o povo quis, mas agora esperemos que optem pela liberdade e democracia. Era muito bom. Mas não nos devemos esquecer do Irão. Oxalá aquela zona do Mundo esteja mesmo a mudar.

Um abraço

Fê-blue bird disse...

Só desejo que o povo egípcio, encontre paz e estabilidade para conseguir delinear o seu destino, a ver vamos.

Beijinhos

Agulheta disse...

Amigo Carlos! Como tem tido a oportunidade de conhecer as minhas ideias,digo...tudo que seja ditadura seja de que lado for,nunca será bom para um povo que se quer livre e senhor de pensar pela sua cabeça,assim fez o povo do Egipto,o que virá daqui para diante se verá.O povo é suberano e está cheio de ser enganado por ditadores e politícos que nada valem.
Beijinho e boa semana com saúde

Maria João disse...

Carlos

E o mundo está espantado com a lição dada, para tantos uma lição já aprendida e no entanto esquecida, a de que o querer dos homens é a arma mais poderosa. O grito em forma de liberdade, vindo do mundo muçulmano, provoca receios naturais quanto à orientação política futura, mas não pode o mundo ocidental duvidar da maturidade e da capacidade dos egípcios de decidirem o seu próprio futuro.
Acendeu-se o rastilho e os povos que sempre viveram oprimidos, miram-se no exemplo dos homens que agora fizeram da vontade a própria força e dela uma revolução. Outras se irão seguir e espero, que todas elas tenham a mesma força e a mesma sensatez que esta teve. Para bem dos povos muçulmanos e para exemplo de todos nós.

Um abraço