sexta-feira, 1 de abril de 2011

Cântico de Amizade


A minha cubata foi distinguida, honrada, com este selo. A Fê blue-bird, uma amiga virtual, é senhora dum blogue onde sempre se encontra a poesia, acrescida à sensibilidade dos seus textos, versando, a mais das vezes, a realidade em que vivemos. Os poemas que partilha com quem a visita, são autênticas pérolas por ela recolhidas do sonho dum mundo onde os sonhos são a vida, e, habitam os poetas. Eu, que não sou poeta, tenho o direito de gostar de poesia. E gosto! Utilizando um linguarejar da terra africana onde nasci, entro por ela, a poesia, como um garfo desatinado num arroz de cabidela à procura das miudezas. Sempre que toco num poema tremem-me os dedos, talvez receosos de se encontrarem com as confidências da vida de que os poetas nos querem falar. Amiga Fê muito obrigado pela honra que me concedeu ao afirmar-se amiga da minha cubata. Agora ofereço-lhe, a si, e a todos os amigos que por aqui passarem, este poema de Alda Lara, poetisa angolana (Benguela, 1930 – Cambambe, 1962).

Quadras da minha solidão

Fica longe o sol que vi,
aquecer meu corpo outrora...
Como é breve o sol daqui!
E como é longa esta hora...

Donde estou vejo partir
quem parte certo e feliz.
Só eu fico. E sonho ir,
rumo ao sol do meu país...

Por isso as asas dormentes,
suspiram por outro céu.
Mas ai delas! tão doentes,
não podem voar mais eu...

que comigo, preso a mim,
tudo quanto sei de cor...
Chamem-lhe nomes sem fim,
por todos responde a dor.

Mas dor de quê? dor de quem,
se nada tenho a sofrer?...
Saudade?...Amor?...Sei lá bem!
É qualquer coisa a morrer...

E assim, no pulso dos dias,
sinto chegar outro Outono...
passam as horas esguias,
levando o meu abandono...

(Desejo a todos um bom fim-de-semana)

6 comentários:

Malu disse...

Carlos, amigo!
Saudades!
Passando para dizer que os selos que ganhas é sempre bem merecidos.
Deixo-te um grande abraço

Maria João disse...

Carlos

Prefiro embalar-me no sonho e acreditar que a voz dos poetas será sempre a última a morrer. Prefiro acreditar que a amizade, sendo também poesia, fará crescer nos homens as únicas asas que lhes permitirão voar, sempre, em qualquer lugar, em qualquer tempo, sejam quais forem as circunstâncias.
Os poemas serão sempre dor e saudade, mas também uma verdadeira força redentora, gérmen vital de toda a esperança que necessitamos.

Obrigada pelo belíssimo poema de Alda Lara!

Obrigada pelos votos de bom fim-de-semana, que retribuo!

Obrigada pela amizade com que veste as palavras que, aqui, sempre tão generosamente nos dá a ler!

Um abraço

Maria João disse...

Carlos

Prefiro embalar-me no sonho e acreditar que a voz dos poetas será sempre a última a morrer. Prefiro acreditar que a amizade, sendo também poesia, fará crescer nos homens com dorso, as únicas asas que lhes permitirão voar. Sempre, em qualquer lugar, em qualquer tempo, sejam quais forem as circunstâncias.
Os poemas serão sempre dor e saudade, mas também uma verdadeira força redentora, gérmen vital de toda a esperança que rareia no mundo.
É por acreditar em tudo isto, que não me entrego à depressão dos dias.

Obrigada pelo belíssimo poema de Alda Lara!
Obrigada pelos votos de bom fim-de-semana, que de igual modo retribuo!

Obrigada pela amizade com que veste as palavras que, aqui, sempre tão generosamente nos dá a ler!

Um abraço

acácia rubra disse...

Não te faço inveja, porque já tens o teu selo e igual ao meu.

Fico, no entanto, como alguma pitada de inveja por não ter tido a sensibilidade para escolher para o meu blogue um poema tão rico como este da Alda Lara.

Bom fim-de-semana

Beijo

Fê-blue bird disse...

"...Por isso as asas dormentes,
suspiram por outro céu.
Mas ai delas! tão doentes,
não podem voar mais eu..."

Meu amigo:
Estou literalmente sem palavras para lhe agradecer o belíssimo texto poético, e o lindo poema de Alda Lara que me dedicou.
Nem imagina como me identifico com ele, aliás acho que o meu amigo consegui ver a minha alma, por detrás do passarinho azul ;)

Muito Obrigada!Bem Haja!

Bjos

Kimbanda disse...

O Carlos sintetizou de forma que alguma vez eu conseguiria, a riqueza que é desfrutar da amizade, mesmo que virtual e no caso a da Fê, que muito admiro. Quem não conheça o seu contributo, se aconselha a seguir o link que disponibilizou.

O poema de Alda Lara, é outra pérola, utilizando o seu termo.

Quando a saudade da minha Benguela e suas gentes aperta, só não sinto algo a morrer, porque a mantenho em memória como nunca mais a poderei voltar a viver.

Grato por este bom momento, desejo
para si e para os seus, um óptimo fim de semana.

Kandandos.