terça-feira, 16 de novembro de 2010

José Saramago


Faria hoje 88 anos. Recordo-o com palavras da mulher com quem viveu os últimos 24 anos de vida, a sua viúva Pilar del Río:

“Saramago escrevia como se fosse um camponês: preparava a terra, adubava-a, limpava-a, semeava. Tudo a seu tempo, duas páginas por dia, sem impaciências, sem omitir um sulco, uma responsabilidade. Às vezes tinha que deixar descansar a terra, e então aproveitava para pôr em dia a correspondência com os amigos, tarefa nunca acabada, lia, relia, ia às escolas e às universidades que insistentemente solicitavam a sua presença, como em Mafra, apresentava livros em países que lhe eram mais próximos emocionalmente, militava, ainda que este militar, militar como cidadão, fosse, como o pão, coisa de cada dia. Saramago não desfalecia nunca, por isso os seus livros têm, como a espiga colhida, tanto para dar de comer. Que é uma necessidade de todos, comer, ler (…)”

Aqui poderão continuar a leitura.

14 comentários:

maria teresa disse...

A sua admiração por Saramago está bem provada!
Abracinho meu!

acácia rubra disse...

Lindas todas estas imagens que Pilar dá de Saramago. Mas a que lhes serve de húmus é o amor mútuo que ambos transmitiam...

Actualizando o que se dizia " Ao lado de um Grande Homem só uma Mulher Assim".

Beijo

São disse...

Saramago continua vivo, ainda bem!

Um bom dia.

Maria João disse...

Extraordinário, este Homem simples que escrevia como um camponês, como refere Pilar, a mulher com quem ele descobriu o amor maior.

Extraordinário escritor este que soube, como mais ninguém, desenhar a humanidade com a cor da terra e o calor das searas fartas. As suas palavras, olhares imensos e eternos, serão sempre a bússola onde muitos de nós depositaremos a alma, para nos guiarmos no verdadeiramente essencial, sem nunca perdermos o norte, no desnorte da nossa própria existência.

Celebremos a vida, como ele fez, sabendo como ele soube que há um destino com o qual não nos devemos preocupar, porque certo. A morte.

À vida onde se deu a todos nós, obrigada por o ter deixado estar connosco durante 87 anos.
Que ela não nos deixe esquece-lo e que o seu pensamento se mantenha sempre vivo através da forma como olhamos o mundo.

A si Carlos, obrigada por mais este enorme tributo a José Saramago.

Um beijinho

Rogério Pereira disse...

Vou fazer link. Hoje o meu post é página aberta em continua actualização referindo posts de amigos...

Abraço

Fê-blue bird disse...

Venerámos ambos o amor de Saramago pela mulher que tanto o inspirou.
Um homem completo em todos os sentidos.
Beijinhos

Brown Eyes disse...

Como diz Pilar: Saramago não desfalecia nunca. É este tipo de pessoas que me cativa: os que lutam pelas suas ideias sem temer nada nem ninguém. Beijinhos

La Preciosa disse...

Bela lembrança. Saramago nunca é demais!

manuel aldeias disse...

Grande e admirável escritor, o unico Premio Nobel da lieratura Poruguês.
Um exemplo a seguir por todos os autores contemporaneos.

Marilu disse...

Querido amigo, linda homenagem a esse grande escritor. Beijocas

Janaina Cruz disse...

Assim como Saramgo, eu tenho a escrita como uma necessidade, só falta subir os degraus ( e muitos) para chegar ao patamar dele...rs

Manuela Freitas disse...

Também prestei hoje uma singela homenagem a Saramago, um nome que nunca poderá ser esquecido na galeria dos nossos grandes escritores!
Um abraço,
Manuela

ematejoca disse...

O nosso Nobel foi grande, mas o país em que nasceu ainda é MAIOR.

Em Portugal, neste jardim à beira-mar, nasceram poetas/escritores, tais como um Luís Vaz de Camões,
ou um José Maria Eça de Queiroz, ou um Fernando Pessoa entre outros, não esquecendo o nosso querido José Saramago.

Era altura da Pilar del Rio aprender Português!!!
Se é tradutora da obra do marido para espanhol, tem de conhecer a nossa língua. Então, porque é que fala sempre em Castelhano?

Mesmo os Grandes Homens não são invulneráveis, e o "calcanhar de Saramago", foi a espanhola Pilar del Rio.

O abraço de sempre.

São disse...

VEnho desejar-lhe um agradável Dia do Homem.

Bom final de semana.