
Faria hoje 88 anos. Recordo-o com palavras da mulher com quem viveu os últimos 24 anos de vida, a sua viúva Pilar del Río:
“Saramago escrevia como se fosse um camponês: preparava a terra, adubava-a, limpava-a, semeava. Tudo a seu tempo, duas páginas por dia, sem impaciências, sem omitir um sulco, uma responsabilidade. Às vezes tinha que deixar descansar a terra, e então aproveitava para pôr em dia a correspondência com os amigos, tarefa nunca acabada, lia, relia, ia às escolas e às universidades que insistentemente solicitavam a sua presença, como em Mafra, apresentava livros em países que lhe eram mais próximos emocionalmente, militava, ainda que este militar, militar como cidadão, fosse, como o pão, coisa de cada dia. Saramago não desfalecia nunca, por isso os seus livros têm, como a espiga colhida, tanto para dar de comer. Que é uma necessidade de todos, comer, ler (…)”
Aqui poderão continuar a leitura.
“Saramago escrevia como se fosse um camponês: preparava a terra, adubava-a, limpava-a, semeava. Tudo a seu tempo, duas páginas por dia, sem impaciências, sem omitir um sulco, uma responsabilidade. Às vezes tinha que deixar descansar a terra, e então aproveitava para pôr em dia a correspondência com os amigos, tarefa nunca acabada, lia, relia, ia às escolas e às universidades que insistentemente solicitavam a sua presença, como em Mafra, apresentava livros em países que lhe eram mais próximos emocionalmente, militava, ainda que este militar, militar como cidadão, fosse, como o pão, coisa de cada dia. Saramago não desfalecia nunca, por isso os seus livros têm, como a espiga colhida, tanto para dar de comer. Que é uma necessidade de todos, comer, ler (…)”
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14 comentários:
A sua admiração por Saramago está bem provada!
Abracinho meu!
Lindas todas estas imagens que Pilar dá de Saramago. Mas a que lhes serve de húmus é o amor mútuo que ambos transmitiam...
Actualizando o que se dizia " Ao lado de um Grande Homem só uma Mulher Assim".
Beijo
Saramago continua vivo, ainda bem!
Um bom dia.
Extraordinário, este Homem simples que escrevia como um camponês, como refere Pilar, a mulher com quem ele descobriu o amor maior.
Extraordinário escritor este que soube, como mais ninguém, desenhar a humanidade com a cor da terra e o calor das searas fartas. As suas palavras, olhares imensos e eternos, serão sempre a bússola onde muitos de nós depositaremos a alma, para nos guiarmos no verdadeiramente essencial, sem nunca perdermos o norte, no desnorte da nossa própria existência.
Celebremos a vida, como ele fez, sabendo como ele soube que há um destino com o qual não nos devemos preocupar, porque certo. A morte.
À vida onde se deu a todos nós, obrigada por o ter deixado estar connosco durante 87 anos.
Que ela não nos deixe esquece-lo e que o seu pensamento se mantenha sempre vivo através da forma como olhamos o mundo.
A si Carlos, obrigada por mais este enorme tributo a José Saramago.
Um beijinho
Vou fazer link. Hoje o meu post é página aberta em continua actualização referindo posts de amigos...
Abraço
Venerámos ambos o amor de Saramago pela mulher que tanto o inspirou.
Um homem completo em todos os sentidos.
Beijinhos
Como diz Pilar: Saramago não desfalecia nunca. É este tipo de pessoas que me cativa: os que lutam pelas suas ideias sem temer nada nem ninguém. Beijinhos
Bela lembrança. Saramago nunca é demais!
Grande e admirável escritor, o unico Premio Nobel da lieratura Poruguês.
Um exemplo a seguir por todos os autores contemporaneos.
Querido amigo, linda homenagem a esse grande escritor. Beijocas
Assim como Saramgo, eu tenho a escrita como uma necessidade, só falta subir os degraus ( e muitos) para chegar ao patamar dele...rs
Também prestei hoje uma singela homenagem a Saramago, um nome que nunca poderá ser esquecido na galeria dos nossos grandes escritores!
Um abraço,
Manuela
O nosso Nobel foi grande, mas o país em que nasceu ainda é MAIOR.
Em Portugal, neste jardim à beira-mar, nasceram poetas/escritores, tais como um Luís Vaz de Camões,
ou um José Maria Eça de Queiroz, ou um Fernando Pessoa entre outros, não esquecendo o nosso querido José Saramago.
Era altura da Pilar del Rio aprender Português!!!
Se é tradutora da obra do marido para espanhol, tem de conhecer a nossa língua. Então, porque é que fala sempre em Castelhano?
Mesmo os Grandes Homens não são invulneráveis, e o "calcanhar de Saramago", foi a espanhola Pilar del Rio.
O abraço de sempre.
VEnho desejar-lhe um agradável Dia do Homem.
Bom final de semana.
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