domingo, 27 de novembro de 2011

O Fado


Confesso que passei muitos anos da minha vida olhando para o fado como um vendedor de coisas inúteis, como a melancolia, o ciúme e o encontro, desencontrado, de almas desatinadas. Assim como uma espécie de alegria dos tristes…
Talvez, não sei, por ter nascido em África e nela me ter tornado adolescente ao sabor e ao som das rebitas de Sábado à noite nos musseques empoeirados da minha Luanda, e adormecido embalado pelos cantares da Kyanda que as casuarinas da Ilha me traziam. Não sei, talvez!
Um dia ouvi Carlos Ramos cantar "Não Venhas Tarde" e disse para comigo: Há algo neste cantar que preciso entender. O mesmo me aconteceu quando me chegaram as vozes de Celeste Rodrigues (irmã de Amália), de Amália Rodrigues e Carlos do Carmo (a Voz!).
Hoje continuo a tentar entender o fado em toda a sua plenitude. O excelente vídeo que o Rodrigo (folha seca) colocou no seu blogue (desconhecia-o) deu-me uma ajuda. Já lhe agradeci a partilha.
A UNESCO acaba de considerar o fado Património Imaterial da Humanidade. Sinto-me bem. É que a seiva da Mãe África, que por mim corre, vive em harmoniosa coabitação com o sangue orgulhoso de ser Português!

Bom Domingo

10 comentários:

São disse...

Não aprecio muito fado de Lisboa, embora me agrade imenso o de Coimbra.

Mas fico contente com a decisão!

Um bom domingo também para si.

Gisa disse...

Um patrimônio imaterial do teu povo, com certeza. Parabéns aos portugueses.
Um grande bj querido amigo

folha seca disse...

Caro Carlos Albuquerque
Em primeiro lugar agradecer a referência. Acabei por reeditar o post no momento em que conheci o resultado.
Tambem nunca fui grande apreciador de fado até que comecei a ouvir outros fados (daqueles que se ouviam às escuras) não sendo um incondicional, há fados de que gosto muito. Penso que houve uma grande evolução.
Abraço

Rogério Pereira disse...

"É que a seiva da Mãe África, que por mim corre, vive em harmoniosa coabitação com o sangue orgulhoso de ser Português!"

Antes de falarmos no sangue que nos corre, falemos na alma que nos envolve...
E se disser que hoje a minha Homilia coloca dois fados: uma ser cantado por uma Moçambicana e um Caboverdiano e outro por um brasileiro?

acácia rubra disse...

Carlos

Um dia deu-me para estudar a origem do Fado. Comprei livros (que se foram no último tufão). Ontem ao jantar vieram à baila as raízes do nosso Fado. Lá falei do que sabia e foi com muito gosto que vi o post do Rodrigo.

Eu sempre ouvi Amália ( pela minha Mãe), Alfredo Marceneiro (pelo meu Pai) Carlos do Carmo (por mim). Dos dois primeiros havia lá em casa inúmeros discos, mas as viagens e o regresso de Angola fez-nos ter opções.

Estou satisfeita por termos uma expressão sentida e reconhecida pela UNESCO.

Obrigada pelo calor da tua mão. Precisamos de estender as nossas aos que têm medo e dizer-lhes como me escreveste aqui há tempos " Não temas a tempestade"

Carinhosamente, um beijo

Filoxera disse...

Um motivo de orgulho. Quando o sonho é de todos...
Beijos.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Também já foi tardiamente que comecei a apreciar o fado e me deixei encantar - ainda que moderadamente- por ele.
Continuo a não suportar ouvi-lo na rádio ou na televisão, mas facilmente me deixo embevecer quando o ouço ao vivo nos locais apropriados.
Espero é que esta atribuição da UNESCO não sirva para nos desviar dos problemas do país, como acontece com o futebol.
Abraço

Luís Paulo Rodrigues disse...

O fado é património mundial. É um grande desafio e uma grande oportunidade para vários responsáveis do Governo português, nomeadamente da Cultura, da Economia e do Turismo. Tal como no fado, também na economia e no turismo só quem tem unhas é que toca guitarra.“

TERESA SANTOS disse...

Meu Mwata,

Sem dúvida que esta nomeação do Fado nos aquece um pouco a alma.
Neste mundo louco, louco, vazio de tudo...?

Tu e a magia da Mãe África, sempre!

Abraço grande, meu Mwata.

Fê-blue bird disse...

Meu amigo:
Nasci num bairro popular de Lisboa onde o fado era cantado quase diariamente.
Portanto o fado está dentro de mim, portanto muito feliz fiquei com esta distinção.
O fado que escolheu é um dos mais belos.

beijinhos