sábado, 7 de janeiro de 2012

Era uma vez...


Indo
Para trás antigo de mim
Cabeceira de sonho sem fim
Fiapo de vento leve perdido
Cio bambolina. Arrependido

Continuar vou
Distância a percorrer
Levando o resto de mim
Sentir dum doer
Silêncio nascido adentro
Em busca dos montes longínquos
Caminhante do teu corpo por dentro.

Continuar vou
No procurar do porvir
De amor e coração
Onde não more a solidão
Sem querer que seja em vão

Seja

Um agora de existências pensadas
Cidades não desertas
Com arestas e cores
Onde nada se recolhe
Do absoluto vivam cantores
Ruas sem palavras pisadas
Gentes abertas
Sombras de luz
O que me seduz

 Flores que não murcham
Rios que correm felizes
E às estrelas murmuram
Saudades de distantes Belizes

E perfeições imperfeitas
Sem vozes desfeitas

Vou continuar
Docemente
Por um cabelo teu andar
Teu rosto ameigar
Como quando eras fagueira
Procurar-te o olhar e nele deixar
Não um rio a orar
Mas mar a alagar a fogueira
Que meu coração sente
Me queima e contrista
Por te sentir a querer abalar
Emplumada e de crista
Sem quereres saber
Rainha destronada
Fada desencantada
Ir no vento do nada falar

Ó pedante e enleante
Ó cróia a valer
Poetisa doente
Filósofa louca
Já não te sentes sonhada?
Que fizeste às manhãs?
Para onde levaste as árvores?
Já não lhes vejo o verde
Porque espreita a terra?
Porque roubaste os sentimentos
Às pedras e às flores?

Com quem te dás tu?
Com que falas te metes?
Quem te disse, ó vida
O que me queres dizer?

6 comentários:

acácia rubra disse...

Uma vez, um poeta 'indo' discorria sobre a vida. Não ia sozinho. Leva o pensamento e as palavras sentidas.Com firmeza assegurava "Vou continuar/Docemente/Por um cabelo teu andar"...

E, enquanto ia 'indo', uma acácia, que por ali passava, pensando também na vida, mas sem o saber fazer do mesmo jeito que o poeta, quis saber as respostas para tantas interrogações que a afligiam também.

Eram dois a pensar, Haveria muitos mais? Que sabiam eles? Quantos eram os outros?

Eram dois dessa vez... "Vamos indo..."

Beijo

Gisa disse...

Sinais que passam por nós.
Belos versos.
Um grande bj querido amigo

folha seca disse...

"Com quem te dás tu?
Com que falas te metes?
Quem te disse, ó vida
O que me queres dizer?"

Os poetas dizem numa simples quadra aquilo que os não poetas pura e simplesmente não dizem, por muito que escrevam.

Abraço Caro Carlos Albuquerque
Rodrigo

Fê-blue bird disse...

« Flores que não murcham
Rios que correm felizes
E às estrelas murmuram
Saudades de distantes Belizes»

Meu amigo:
Tantas perguntas, tantas inquietações...
Queria eu ter o dom de lhe dar as respostas.
Queria eu ter a sabedoria nas palavras.

beijinhos

M. disse...

Perante a arte não gosto de teorias. Sou mais tipo facebook lol.

Gostei de te ler.

São disse...

Quem disse à vida aquilo que nos conta , senão a própria Vida?

Uma boa semana, Carlos.