sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Hiroshima e Nagasaki



Foi, apenas, há 65 anos.

A 6 de Agosto de 1945, no final da Segunda Guerra Mundial, o presidente dos Estados Unidos, Harry Truman, ordenou que fosse despejada uma bomba atómica sobre a cidade japonesa de Hiroshima e, três dias depois, outra sobre Nagasaki.
Disse Washington que o objectivo era forçar a rendição do Japão. O argumento não colheu. Depois da rendição da Alemanha nazi e da Itália fascista, Tóquio estava isolada, preparava já a rendição do império nipónico. Calcula-se que, em resultado imediato dos bombardeamentos desnecessários, e por efeitos posteriores, tenham morrido mais de trezentas mil pessoas, no que a História regista como um dos maiores ataques a uma população civil já ocorridos. Ficou evidenciado que os bombardeamentos fizeram parte de uma demonstração do poderio das armas nucleares dos Estados Unidos, sobretudo perante a então União Soviética.
Analistas, incluindo norte-americanos, afirmaram que Hiroshima e Nagasaki foram escolhidas por se situarem entre vales, localização que facilitaria a avaliação dos estragos causados pela nova tecnologia bélica, que nunca até então tinha sido usada e nem se sabia quais seriam as suas consequências.
Em Abril de 1959 (seis anos depois de deixar a Casa Branca), discursando na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, Harry Truman afirmou: “A bomba atómica é apenas mais uma poderosa arma no arsenal da Justiça.
Correu o pano sobre um crime!
Ao evocar esta data pretendo que ela não seja esquecida, desejando que os actuais senhores do mundo não caiam em semelhantes tentações.
Ocorre-me um texto de José Saramago – O Planeta dos Horrores – de que extraio a seguinte passagem:
“…Gosto da luz do dia, da claridade, do aperto de mão de um amigo, de uma boa palavra reconfortante, gosto da esperança, amo o amor, amo a beleza das coisas e das pessoas (que todas são belas) – mas tudo isto me pode ser tirado de um momento para o outro. Em todo o mundo há mísseis apontados para todo o mundo, por cima do mundo cruzam-se aviões com bombas nucleares capazes de derreter o mundo, em certos sítios do mundo estão guardadas bactérias suficientes para exterminar a vida em todo o mundo. O planeta dos horrores de mr. Hyde é este, amigo leitor, confiante leitor, talvez ingénuo leitor…”


11 comentários:

ematejoca disse...

Vou levar para o "ematejoca azul".
Volto já!

acácia rubra disse...

Vamos acreditar no bom senso do Homem.

Beijo

Maria disse...

O horror, que tem de ser recordado para que não se repita...

Beijo.

Marilu disse...

Querido amigo Carlos, uma das coisas que nunca vou conseguir entender em minha vida é a guerra, estúpida e cruel, matando inocentes que nem ao menos tem tempo de descobrir porque morreram. Essas duas bombas jogadas em Hiroshima e Nagasaki é a forma mais violenta de conseguir uma rendição japonesa. Mas não nos esqueçamos também

do ataque a Pearl Harbor base norte-americana efectuada pela Marinha Imperial Japonesa na manhã de 7 de Dezembro de 1941.Ou seja, civís morreram nas duas maiores manifestações de poder naquela época. Odeio a guerra...nada a justifica..Tenha um lindo final de semana...Beijocas

Maria João disse...

Meu amigo..

Como é possível que 65 anos depois, a possibilidade de uma guerra nuclear paire ainda sobre a nossa existência?
Como é possível que a sede de poder, ainda faça uso da ameaça real, de qualquer arma que destrói a humanidade?
Afinal, a memória dos homens é, lamentavelmente, de existência curta!

Um beijinho

Ignoto Jardim disse...

A crueldade dos americanos nao conhece limites. Os japoneses tb fizeram atrocidades na Manchúria.
o ser humano não é a jóia da criaçao, desculpem os muito religiosos. O ser humano é um sujeito incabado, faltou alguma coisa nêle.
.......
Carlos: entao vc tb sofreu o drama de ter um visitante rato, ñ é?
Obrigada pela leitura, e se vc deu risado, eu estou recompensada: um só leitor já me deixa feliz, e um leitor que se divertiu com o meu texto, isso é muito bom pra mim!
Ah, carro vermelho é um charme, nao é?

ney disse...

Endosso as palavras da Marilu. E que a humanidade continue avançando no sentido da paz e da liberdade. Abraço/ney.

Anónimo disse...

Meu caro Carlos Albuquerque, ainda não tenho o meu blog.Quase analfabeta nestas coisas prefiro primeiro visitar alguns blogs, comentar quando possível e só depois, quando estiver preparada me lançarei nessa façanha.Com muito gosto lhe enviarei o meu link.
Pensando em Hiroxima, transcrevo algumas das palavras do Vinicius sobre esse tema:
....Mas oh não se esqueçam da rosa
da rosa da rosa de Hiroxima.
A rosa hereditária, a rosa radioactiva, estupida e inválida
A rosa com cirrose, a anti rosa atómica, sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.
-----------
Até quando a memória do homem continuará curta?
Boa noite, prometo voltar mais vezes.
Maria. Lx.2010/08/07

Filoxera disse...

Horrores como este vão fazer sangrar a alma humana, sempre.
Um beijinho.

maria teresa disse...

Vou tentar acreditar que TODOS os homens têm ainda alguma humanidade em si!
Saramago não "desvendou" nada, todo o mundo científico está ciente há muitos anos do que ele escreveu e fizeram afirmações semelhantes, já Marie Curie tinha a noção, ao "descobrir" a radio-actividade, que tinha "criado um monstro". Infelizmente alguns homens de ideais políticos, em que a vida humana nada vale,não se coibem de usar essas mesmas armas.
Abracinho

Turmalina disse...

Gosto muito também de Saramago.Principalmente da forma como ele retratou todas as coisas.