segunda-feira, 13 de junho de 2011

Gosto do meu povo

“Então!?

Então, estou à rasca, que me doem os joelhos!”.

Foi assim, tal e qual, que aquele senhora, já entradota na idade e a atirar para o obeso, respondeu, sentada num banco, à pergunta que o repórter entendeu fazer-lhe: “E então?”

A reportagem televisiva era a da noite de Santo António, o santo que mais vende sardinhas, cerveja, vinho tinto, sangria e pão, põe o povo de Lisboa a bailar, e ainda dá um jeito noutras andanças que não são para aqui chamadas, mas de quem por elas passa é habitual ouvir-se: “Meu rico Santo António!” Pois…Adiante!

Bailarico! Claro!

Para a câmara olha outra filha de Lisboa, “alfacinha de gema”, como fez questão de frisar. Já para lá da meia idade, sorridente, alegremente respondeu: “Claro que estou a bailar, gosto de abanar o capacete!”.

Um sortudo conseguiu lugar à mesa de um dos arraiais. Mão sobre o gargalo duma garrafa de tinto falou convicto:”Vinho tinto, pois! Com a sardinha é tinto, cerveja não!”

E como vai para casa?

“Vou de metro, tenho o metro à porta de casa, vivo em Loures”.

Em Loures não há metro! Que importa, se o tinto o pôs à porta dele?

Aqui, apetece-me citar o escritor uruguaio Eduardo Galeano, que no seu “O Livro dos Abraços” escreveu: “Bem aventurados os bêbados, porque verão Deus duas vezes”.

Estou à rasca, gosto de abanar o capacete, o tinto é o melhor para a sardinha.

Gosto, gosto do meu povo.

Gostaria que os políticos da minha horta deixassem de ser hortaliças e fossem como o povo que gosta bué de Santo António.

9 comentários:

acácia rubra disse...

Ai Carlos!

Ainda me estou a rir...bué!

Beijo

Rogério Pereira disse...

Estou com um "grão na asa"
Só comento
um sentimento
quando eu próprio
me sinto sóbrio

(Uma parte do povo sempre se divertiu, em todos os tempos e regimes e até perante as fogueiras da santa inquisição. Mas outra parte não... acho que aligeirou uma complicada questão)

* MIUÍKA * disse...

Parabéns amigo,conseguiu repetir na íntegra,tudo o que eu também ouvi em directo na TV,é a voz do povo no seu melhor,com vinho ou sem ele,bailando ou coxeando e vivam os portugueses,pobretes mas alegretes.
Um grande beijinho,meu amigo.
Miuíka

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Caro Carlos, gostei de ler o seu relato a que não assisti, por ter andado longe de todos os ecrãs durante estes dias.
Quanto aos nossos políticos, infelizmente, continuam a ser apenas nabos.
Abraço

acácia rubra disse...

Há um selinho para ti, Carlos.

Beijo

elvira carvalho disse...

Também vi essa reportagem. Quanto aos nossos políticos se calhar nem o Santo António consegue dar-lhes jeito.
Um abraço

Manuela Freitas disse...

Eu também gosto Carlos...da gente simples que inspira afectos!
Beijo,
Manuela

Helena disse...

Muito divertido!
O tinto é bom para a sardinha e para ver a vida mais colorida!
Abraço

Maria João disse...

Também gosto do meu povo, aliás, como não gostar se dele faço parte?!
Simples, espontâneo e genuíno. O povo que não esquece a sua história, as raízes e a tradição e sabe que o valor do fruto está muito mais no sabor que ele tem do que na sua aparência.

Gosto sim!

Um beijinho, Carlos

( Tenho estado um pouco mais afastada, por falta de tempo, só isso! )