segunda-feira, 18 de maio de 2009

Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa


Singularidades da língua portuguesa.

O Novo Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa está em vigor desde Janeiro de 2009. Só em 2012, porém, se tornará obrigatório. Até lá são permitidas as duas grafias. O novo acordo apenas altera a ortografia (escrita) e não a pronúncia.

Já por mais de uma vez foi ensaiada a unificação da ortografia da língua portuguesa. A primeira tentativa, em 1911, culminou, em Portugal, na Grande Reforma da língua. Depois disso a mais importante foi a de 1990, no Brasil, que se transformou, digamos, no arranque para o actual, e ao que parece definitivo (ver-se-á), Acordo Ortográfico.

Um pouco da história recente:
Em Julho de 2004 representantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), reuniram-se em São Tomé e Príncipe. Decidiram que para o novo acordo ortográfico (aprovado em 1990 no Brasil) entrar em vigor, bastaria que três países o ratificassem. O Brasil fê-lo em Outubro de 2004, Cabo Verde em Abril de 2005, São Tomé e Príncipe em Novembro de 2006.
Em Portugal o Governo ratificou-o a 6 de Março de 2008, o Parlamento aprovou-o a 16 de Maio e o Presidente da República promulgou-o a 21 e Julho, entrando imediatamente em vigor. Está, no entanto, prevista uma fase de adaptação até 2012, período durante o qual serão permitidas as duas grafias. Este está longe de ser um trabalho completo sobre o Novo Acordo Ortográfico. Trata-se, apenas, de uma referência a um acontecimento que terá, certamente, implicações no ensino da língua portuguesa, para já não falar da perturbação que causará nos que não conheceram senão a grafia que actualmente utilizam. Trabalho desenvolvido encontrará, por exemplo, aqui, de onde retirei, com a devida vénia, a fotografia que encima o texto, e também aqui.



Algumas mudanças que nos esperam:


O Alfabeto

O K, o W e o Y, são incluídos definitivamente no alfabeto que se alarga de 23 para 26 letras. Pronuncie-se o K como capa ou ; o W como dáblio, dâblio ou duplo vê; o Y como ípsilon ou i grego.

Novas regras para a utilização de minúsculas (caixa baixa) e maiúsculas (caixa alta):
  • Os dias de semana, meses do ano e os pontos cardeais passarão a ser escritos em minúsculas (caixa baixa) - segunda, domingo, janeiro, fevereiro, norte, sul, etc…
  • poder-se-á usar maiúsculas ou minúsculas em títulos de livros, no entanto a primeira palavra será sempre maiúscula (Memorial do Convento, ou Memorial do convento).
  • também é permitida dupla grafia em expressões de tratamento (Exmo. Sr. ou exmo. sr.) em sítios públicos e edifícios (Praça da República ou praça da república) e em nomes de disciplinas ou campos do saber (História ou história, Português ou português).


Supressão de consoantes mudas.

Desaparece uma de duas consoantes que se pronunciem de uma só voz:


  • cc - : transaccionado passa a transacionado, leccionar passa a lecionar. Mantém-se em friccionar, perfeccionismo, e outras, por se articular a primeira consoante.
  • cç – acção passa a ação; erecção passa a ereção; reacção passa a reação. Mantém-se em fricção, sucção.
  • ct – acto passa a ato; actual passa a atual; tecto passa a teto; projecto passa a projeto. Mantém-se em facto, bactéria, octogonal.
  • pc – percepcionar passa a percecionar; anticoncepcional passa a anticoncecional. Mantém-se em núpcias, opcional.
  • pç – adopção passa a adoção; concepção passa conceção. Mantém-se em corrupção, opção.
    pt – Egipto passa a Egito; baptismo passa a batismo. Mantém-se em inapto, eucalipto.

Supressão de alguns acentos gráficos em palavras graves
  • crêem, vêem, lêem, passam a creem, veem e leem.
  • pára, pêra, pêlo, pólo passam a para, pera, pelo e polo.

Ditongos perdem acento

As palavras acentuadas no ditongo oi e ei passam a ser escritas sem acento:


  • esstóico (estoico);
  • paleozóico (paleozoico);
  • asteróide (asteroide).
Supressão do hífen
O uso do hífen vai ser suprimido em:
  • palavras compostas em que o prefixo termina em vogal e o sufixo começa em r ou s, dobrando essa consoante: cosseno, ultrassons, ultrarrápido.
  • o prefixo termina em vogal diferente da incial do sufixo: extraescolar, autoestrada, intraósseo.
  • formas monossilábicas do presente do indicativo do verbo haver: hei de, hás de. Não escreveremos hei-de, nem hás-de.

O hífen emprega-se em:

  • palavras compostas onde a última vogal do prefixo coincide com a inicial do sufixo, excepto o prefixo co- que se algutina ao sufixo iniciado por o: contra-almirante, micro-organismo, coobrigação.
  • palavras que designam espécies da Biologia ou Zoologia: águia-real, couve-flor, cobra-capelo.

Dupla grafia de algumas palavras

Está prevista no novo acordo por existirem diferenças na pronúncia de país para país. Sejamos claros, de Portugal para o Brasil. Ponhamos os olhos em algumas, de que se escreve primeiro a grafia portuguesa.
  • característica - caraterística
  • intersecção - interseção
  • infeccioso - infecioso
  • facto - fato
  • olfacto - olfato
  • conceção - concepção
  • súbdito - súdito
  • amnistia -anistia
  • amígdala - amídala
  • súbtil - sútil
  • académico - acadêmico
  • ingénuo - ingênuo
  • sénior - sênior
  • cómico - cômico
  • vómito - vômito
  • fémur - fêmur
  • abdómen - abdômen
  • bónus - bônus
  • bebé - bebê
  • puré - purê
  • judo - judô
  • metro - metrô
  • andámos - andamos

O novo acordo é polémico, havendo argumentos a favor e contra. Os que lhe são favoráveis defendem que se trata da aproximação natural da oralidade à escrita, enquanto os que o não querem (e nalguns casos se recusam mesmo a aceitá-lo) dizem tratar-se de uma evolução contra-natura da escrita.
Com o novo acordo calcula-se que cerca de 2% do vocabulário de Portugal será alterado. No Brasil apenas 0,45%.

Uma curiosidade:

Nos anos 40, Luiz Gonzaga um cantor do Nordeste do Brasil (Pernambuco), que ficou conhecido como o "Rei do Baião", deu-se conta dos trambolhões a que era sujeita a língua portuguesa. Compôs o "ABC do Sertão", com a oralidade e ritmo bem característicos da sua região. Ficam dois vídeos. O primeiro com as vozes de Fagner (parceiro de muitas interpretações) e do autor, o segundo um clip.
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O texto deste post foi redigido com a ortografia ainda em vigor

1 comentário:

rosário albuquerque disse...

estou a ver... uma grande confusão. o melhor será voltar para a escola primária!