Hoje o Sol mangonhou. A névoa, feita nevoeiro, chegou antes. Depois, Sol e nevoeiro chocaram-se, quase em fúria, borbulhando espuma por onde correram palavras vestidas de mendigas, que estão ali, no beiral da janela, a quererem dizer-me não sei o quê. Pouco me importa! Logo mais, cadavez, meter-se-ão no fato da noite e partirão.
Reparo, agora, passada a noitada, que uma ficou. Saltita pelo beiral, qual pisca, mãos atrás das costas, cara de curiosa, vê-se. Não fora avisá-la, tropeçaria no cestito dos búzios. Pára junto ao vaso onde vive uma flor, pergunta-me: esta flor tem perfume? Respondo-lhe, não, o perfume é que tem essa flor.
Zangou-se!
- Não te deram o direito de me falares assim, trocando as voltas, só porque estou vestida como estou, também sou uma palavra! Sei, muito bem, o que me queres dizer. Não perguntes, respondo antes, trajo assim porque procuro uma mão que me ajude a caminhar por uma estrada de gente, que me leve a um rio de palavras vivas, correndo por águas livres.
Estendeu a mão vazia e foi de boleia com a brisa, vestida como chegara, de mendiga.
Reparo, agora, passada a noitada, que uma ficou. Saltita pelo beiral, qual pisca, mãos atrás das costas, cara de curiosa, vê-se. Não fora avisá-la, tropeçaria no cestito dos búzios. Pára junto ao vaso onde vive uma flor, pergunta-me: esta flor tem perfume? Respondo-lhe, não, o perfume é que tem essa flor.
Zangou-se!
- Não te deram o direito de me falares assim, trocando as voltas, só porque estou vestida como estou, também sou uma palavra! Sei, muito bem, o que me queres dizer. Não perguntes, respondo antes, trajo assim porque procuro uma mão que me ajude a caminhar por uma estrada de gente, que me leve a um rio de palavras vivas, correndo por águas livres.
Estendeu a mão vazia e foi de boleia com a brisa, vestida como chegara, de mendiga.