Dentro da jaula estava um homem de chicote na mão.
Deitadas no chão, a toda a largura da jaula, espreguiçavam-se leoas com ar enfastiado.
No cimo dum escadote, que mais parecia a montra de um lojista, estava um leão sentado.
O homem brandia o chicote, forçando as leoas a mexerem-se e a fazerem carrapitos delas próprias.
Depois virava-se para o leão, levantando o chicote. O felino erguia-se, rugia e voltava a sentar-se.
Um dia o leão não se levantou. Deu um salto e comeu o homem do chicote.
Fora da jaula, as pessoas aplaudiram.
A leoa mais velha, que tinha um fraquinho pelo homem do chicote, não gostou e comeu o leão.
As pessoas aplaudiram.
A filha da leoa mais velha, pegada de amores pelo homem do chicote, ficou desagrada e comeu a mãe.
As pessoas bateram palmas.
A prima da filha da leoa mais velha, que andava a ver se fisgava o homem do chicote, achou aquilo um horror e comeu a filha da leoa mais velha.
As pessoas aplaudiram.
A última das leoas, que se fazia passar por virgem, abriu a porta da jaula e comeu as pessoas que aplaudiam.
O dono do circo apagou as luzes, fechou a feira, e passou a noite com a última das leoas.