Na idade em que o mundo nos gira nas mãos sem querermos saber onde é o seu centro, em que por muito que os ventos soprem nos não levam a imaginação, em que os sentidos ainda não estão pintados, em que nos perguntam o que queres ser quando fores grande, eu respondia: médico! Conhecera um, de quem muito gostara. Um tio meu, não licenciado em medicina, dava injecções à família, como ninguém. Tratava-nos das sezões, indicava os tratamentos para o paludismo (o quinino, sempre), curava as infecções intestinais, ensinava a livrar a água de impurezas passando-a pelas pedras de filtro de onde caía, pingo a pingo, para as moringas de barro, que a refrescavam. E, sei lá que mais! Tanto conhecimento seduziu-me. Queria mais, queria mesmo ser médico para investigar, poder ajudar quem precisasse, curar males.
Com tanta pressa o quis ser, que me distraí ou, porventura, dei saltos que não devia. O Destino (esse monstro!) trocou-me as voltas. Deixei as ciências, meti-me pelas letras. Licenciei-me na vida. Depois, na Faculdade, outros andares: os estudos sociais e políticos, a antropologia, as ciências sociais. Assim tenho caminhado, com o desejo morto de ter querido ser o que não sou.
Hoje, acordei a bordo da máquina do tempo. Fui ao passado, planeta distante, à minha procura, desejoso de saber o que falhara. Debalde! Não me encontrei. No lugar que, provavelmente, fora o meu estava um sumiço, tão só! Apenas vi outros meninos a quererem ser. O quê? A máquina não me deu tempo para lhes ouvir as respostas, trouxe-me de regresso ao presente.
Tendo assim sido, só me resta fazer-vos, amigos e leitores, a pergunta:
Com tanta pressa o quis ser, que me distraí ou, porventura, dei saltos que não devia. O Destino (esse monstro!) trocou-me as voltas. Deixei as ciências, meti-me pelas letras. Licenciei-me na vida. Depois, na Faculdade, outros andares: os estudos sociais e políticos, a antropologia, as ciências sociais. Assim tenho caminhado, com o desejo morto de ter querido ser o que não sou.
Hoje, acordei a bordo da máquina do tempo. Fui ao passado, planeta distante, à minha procura, desejoso de saber o que falhara. Debalde! Não me encontrei. No lugar que, provavelmente, fora o meu estava um sumiço, tão só! Apenas vi outros meninos a quererem ser. O quê? A máquina não me deu tempo para lhes ouvir as respostas, trouxe-me de regresso ao presente.
Tendo assim sido, só me resta fazer-vos, amigos e leitores, a pergunta:
O que queres ser quando fores grande?
(Do Viajante, que vos deseja bom fim-de-semana)