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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Manhã amante


Na noite passada o vento rugiu. Tamborilou a chuva.
Hoje, a manhã vem pintada em fundo de Sol baço, raios desmaiados nas poeiras suspensas. As folhas do Ficus estão viradas para a janela. Buscam, ciumentas, como páginas folheadas dum livro, respirando ofegantes pelo fundo dos galhos, a luz filtrada pela neblina sedosa e perfumada. O som lá de fora despertou os caluquetas, que crescem as olhos vistos na terra-mãe do vaso a que foram deitadas as sementes. Estão altos, empertigados. Não tarda, darão fruto. Suspiro de longínqua saudade traz-me um cheiro a maboque.
Qual rainha aninhando-se no leito, a minha manhã nasceu amante, entregando-se a um dia de amor.
Bom Dia!
Boa semana para todos.