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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Eleições

Pelas reportagens televisivas e pela leitura dos jornais on line, tenho seguido a campanha eleitoral dos partidos políticos.

Como jornalista que sou, embora já não no activo porque a idade fez de mim (contra vontade) um pensionista, sinto um arrepio percorrer-me a espinha com a despudorada manipulação a que assisto.

Para os jornalistas da SIC, da TVI, do DN, do Público, do Expresso, do Sol e, ultimamente, também do i, a campanha mais não é do que uma luta de Passos Coelho (PSD) e Paulo Portas (CDS) contra um espertalhão e tenebroso ser que se chama José Sócrates (PS). Para eles o PSD já ganhou as eleições e vai formar governo com o CDS. Os outros, BE e CDU não contam, não existem, por pertencerem à “segunda divisão política”, como recentemente disse o actual director-adjunto de Informação da RTP, Victor Gonçalves, recentemente importado dos Estados Unidos onde era correspondente da estação pública.

Hoje mesmo Miguel Sousa Tavares, até agora comentador residente da SIC, vestiu-se de repórter e foi para a rua acompanhar a campanha do PSD. Na reportagem incluiu uma entrevista a Passos Coelho (que considerou “surpreendentemente calmo”) - a mais dócil, amigável e submissa que vi fazer-se a um político.

Há dois dias o jornal i levou à sua capa, delas fazendo manchete, palavras de Júlio Castro Caldas garantindo que José Sócrates devia ter sido constituído arguido no caso Freeport! Para os que não se recordam, Castro Caldas é jurista e foi ministro da Defesa no governo do socialista António Guterres. Nunca foi convidado para qualquer cargo ministerial nos dois governos de José Sócrates. Ficou à espera, até agora, a três dias das eleições, para divulgar a sua opinião de que o i fez manchete!

Os meus leitores e amigos sabem que sou um homem de Esquerda. É como tal que emito as minhas opiniões, susceptíveis, naturalmente, de serem contraditadas por quem não pense como eu. Tenho para mim, tal como José Saramago, que “as verdades únicas não existem. As verdades são múltiplas. Só a mentira é global”. Dito isto.

Pelo que tenho ouvido, visto e lido, concluo que os Portugueses parecem não saber e não quererem perguntar para onde os cânticos da direita os querem levar.