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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Do Mwata (deuses)

Nasceu, pulou pela infância, e entrou na adolescência numa balbúrdia.
A mãe falava-lhe de Deus. As mães negras dos seus amigos pé-descalço e carranhosos dos musseques, sempre que o apanhavam à distância de uma conversa, e muitas eram as vezes, tantas quanto lhe fugiam os ânimos para a brincadeira com eles, o que acontecia amiúde, contavam-lhe histórias sem deuses dentro, em que tudo girava apenas, e já não era pouco para a sua compreensão, em torno dos espíritos das coisas vivas ou mortas.
Outra está a ser, esta noite, a opinião do espelho a que se olha antes de se deitar. Diz-lhe o espelho existirem muitos deuses que, indiferentes aos humanos, acasalam entre eles, incesto de que resultou a estirpe dos independentes. Não são bem deuses, mas uma espécie de cabeças manetas e coxas. Olhando-os vê-se não serem nem de boa qualidade nem portadores de bons instintos. De entre os deuses, correlativos e afins, são os piores.
Constituem uma casta à parte a que é preciso estar atento pois só tratam deles próprios, ajeitam-se, e, quando apanham alguém que se põe a acreditar neles, roubam-lhe a alma.
Boa noite, espelho.