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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Do Viajante (Suave sensação)

O seu eu que pensa é o mesmo a que tem batido a interrupção dos sonhos. Com ele tem andado pelas anharas sem fim, cruzando cacimbas, em segredo, na busca. Aqui e ali um ou outro rio tem visto, correndo de Sul para Norte, na procura do reencontro com a Nascente.
Num de repente deu com o Destino. Ser sem alma nem espírito como um andante, autómato, portátil, a que falta coração. Apenas um numerador onde o passado está morto. Ente sem mistério, despido de futuro.
Perdeu-se em si. Repousou. Saiu do apeadeiro.
Continuou.
Foram menos as praias do mar a que chegou, tomadas pela quietude das ondas mortas. Ter-se-ão dissipado algumas.
Indiferentes, o Sol e a Lua continuam vivendo, cada um, em casa própria.
As estrelas ainda brilham. Para além delas outros astros também. Só a luz permanece inquieta, assustada, recolhida à sombra do pensamento.
Dentro de si muitos são os seres que tem encontrado. O pensamento tomou o freio nos dentes. Feito ginete cavalga, louco, sem cavaleiro, mas de adaga no dorso.
À dor que o corpo grita, juntou-se a dor do pensar.
De novo o repouso o chamou. Foi. Deixou-se por lá ficar.
Sem saber porquê despertou. De olhos cansados como saídos da leitura de um livro, cuja última página iria fechar.  Foi à janela. Viu que o Sol hoje voltou a abrir campos.
Não encerrou o livro. Deixou a última página aberta. Há-de continuar a leitura.