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quinta-feira, 18 de junho de 2009

É o que temos!



Eleição faz de conta?




Paulo Rangel foi cabeça de lista do PSD às eleições europeias de 7 de Junho ganhas pelo seu partido. Onze dias depois, ontem, foi-lhe perguntado, numa das televisões, se admite regressar a Portugal para integrar um governo social-democrata, caso o PSD vença as legislativas e o convidem para tal. Foi claro: “não afasto a possibilidade, não me custa nada dizer que não afasto”.
Durante a campanha eleitoral O Jornal de Notícias perguntou-lhe se tencionava cumprir o mandato no Parlamento Europeu. O então candidato respondeu, para que não subsistissem dúvidas: “não tenho mais nenhum plano senão esse”.
Cerca de um mês antes das eleições, a 20 de Abril, o secretário-geral do PSD proclamou que os candidatos social-democratas cumpririam os mandatos e não fariam parte das listas do partido às autárquicas e legislativas – “não haverá quem quer que seja que se candidate a mais do que uma coisa, nem haverá candidatos falsos ou candidatas falsas. Não haverá essas duplicidades de situações por parte do PSD. Isso nem se coloca”.
Pelo que se está a ver se Rangel não foi um candidato falso, o que foi então?
Recorde-se, o PR no seu apelo ao voto:
“Estas eleições para o Parlamento Europeu são importantes para o futuro da Europa e são importantes para a vida dos portugueses, para o nosso desenvolvimento e porque sei que nos próximos anos as instituições europeias irão tomar decisões com influência directa na vida dos portugueses. Basta pensar que muita da legislação que hoje se aplica em Portugal às actividades económicas, à nossa vida, é legislação aprovada no Parlamento Europeu e que o Parlamento Europeu tem uma voz cada vez mais forte, principalmente quando entrar, esperemos que entre, em vigor o Tratado de Lisboa".
Pelos vistos Paulo Rangel não pensa assim. Rangel é um homem estruturado e inteligente, embora belicoso. Disse o que disse quando foi candidato e agora diz que sim mas também, prefere instalar-se em São Bento. Pode ser que Sr. Ministro lhe soe melhor do que Sr. Eurodeputado. Ou, então, de duas uma - ou tem memória do tamanho de uma alcagoita, ou agiu com intuitos escondidos.
O que pensarão os seus eleitores?
Foram enganados ou participaram, conscientemente, numa eleição faz de conta?

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Ida aos rascunhos (O que eles sabem!)


Sobre as últimas europeias.
Numa televisão por cabo.

Ao centro a entrevistadora, ou moderadora, se assim acharem que melhor fica dito. À esquerda ela que costuma falar numa coisa televisiva com mais uns quantos. À direita ele que é director de um semanário e vai à TV vezes que cheguem.
Faziam contas sobre percentagens, a propósito da elaboração de cenários para as legislativas que estão para chegar, ou melhor, das possibilidades para tal que delas possam resultar.
Dizia a moderadora que PSD e CDS-PP, pela amostra das europeias, somam 40% - uma hipótese de sustentabilidade governativa.
Dizia ele, pois, o PS e toda a esquerda não dá, não funciona. Pelas contas que fiz, aqui com a calculadora da barra do Office, o PS e toda a esquerda juntam mais de 40%. Mas ele lá saberá porque disse o que eu ouvi. Só não percebi o não funciona. Conjecturo eu: estaria ele a dizer para se olhar para outro lado?
Acrescentou ela: a direita portuguesa não é como a de - citou dois países. A direita portuguesa, continuou ela com ar meio docente meio discente, a direita portuguesa é civilizada. Quereria dizer, sei lá, não se assustem com o que pode vir, aquilo é gente urbana! Quereria?
Disse ele: nada, ficou em silêncio.
Interveio a moderadora: terminou o tempo, boa noite e obrigada aos dois.
O que eles sabem!
Aprendi, com ela, que a direita portuguesa é civilizada. Não me era, de todo, desconhecido que a direita portuguesa tinha sido evangelizada, mas, pensava eu, os missionários prosseguiam, ainda, com o seu trabalho a bem da fé e da nação, longe da civilização.
Fiquei a saber que há silêncios de clausura para um director de semanário.
Nenhum dos dois adjectivou a esquerda. Ela porque se encantara em divagações. Ele porque a voz se lhe escapulira.
É o que temos. São o que são.