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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

No reino do faz de conta




“…agarra-se a essa coisa mítica que é a crise.”



Ouvi bem, pois! Disse-o, na rua, a Senhora candidata a Primeira-Ministra. A televisão, indiscreta, passou e eu ouvi, dentro de casa.
Deu-me que pensar! Julgava eu que a crise era (e… é) um “monstro” que se pôs a devorar meio mundo, e Portugal também, como em linguagem diferente mas querendo dizer o mesmo, afirmam os economistas. Um “monstro” real, verdadeiro, que é preciso combater sem tibiezas. Pensava eu…
Afinal, nada de preocupações, a dita não passa de uma “coisa mítica”.
Mítico, ou mítica, significa relativo aos mitos, fabuloso. Mito? Diz aqui o “tira-teimas”: “ Personagem, facto ou particularidade que, não tendo sido real, simboliza não obstante uma generalidade que devemos admitir. Coisa ou pessoa que não existe, mas que se supõe real. Coisa só possível por hipótese; quimera”
Já agora, e fabuloso? “Da fábula ou a ela relativo, mitológico, inventado, fictício”.
Para a Senhora que quer ser Primeira-Ministra (também é economista, não é?) a crise é uma coisa que não existe, uma quimera, uma invenção, algo de fictício! Ora bem…!
A Senhora que quer ser Primeira-Ministra vive, por certo, no mundo do faz de conta. Escapou-se-lhe a palavra para a “coisa mítica”, mas o que ela queria dizer é – façam de conta que eu é que sei e que já sou Primeira-Ministra.
Desculpe, Senhora que quer ser Primeira-Ministra, não faço de conta, não! Bichos-de-conta já há que cheguem!
(Esta história é uma ficção mítica. Parecença com a realidade é mera coincidência mítica))