Outono
Na terra linda, menina e morena, do mar da Kyanda, que os homens tão mal viriam a tratar, raiava o dia mais lindo dos dias de Cacimbo. Foi quando, naquele lugar sem Outono, o deixaram para nascer. Rápido se fez adolescente, que a parca o tempo para ser menino lhe roubou. Mais rápido, ainda, conheceu o andar de homem com que se pôs a percorrer as picadas da vida, sem nunca o Outono ter conhecido.
Um dia, outras paragens o chamaram. Para elas foi, levado por um equinócio.
Terra estranha! Cinzento era o céu, embora, a espaços, por ele espreitassem olhos azuis. O ar perscrutava, cirandando num vento frio e húmido, mordendo-o por dentro da roupa, gretando-lhe os lábios. Por isso, quiçá, deu-se ele a pensar, as pessoas não andavam como na terra da sua nascença, mas corriam dum lado para o outro, parecendo apressadas em chegar. Aonde? Provavelmente, a lado nenhum, vá lá saber-se!
Árvores de troncos e galhos despedidos do verde, humedecidos pelo chorar das nuvens, tendo por chão não terra e capim, mas tapetes de folhas amarelecidas, viu pela primeira vez, surpreso. Daquele chão, feito húmus, subiram-se-lhe odores só agora sentidos, aconchegando-se-lhe como aromas de um tempo novo. Diferentes, é certo, mas igualmente aprazíveis, dos das terras vermelhas e quentes molhadas pela chuva, deixadas para trás. Ao partir da tarde, agasalhou-se, deixando o coração liberto… Assim se entregou à chegada do sono.
Na manhã seguinte viu o Sol pintar o céu com azul de matizes mil, e dar luz aos cinzentos e brancos da terra, trazendo, também, um braçado de frio fino. O dia cresceu com amarelos e outras cores por si vistas pela primeira vez. Cores de uma paleta nova, que ele não sonhara existirem, dando vida a gentes e coisas, tirando-as das sombras. Por elas se encantou.
No repousante recanto da noite, antes do novo leito de amor o ter chamado, aprendeu a escolher as pinhas, a caruma e a lenha para acender a lareira de onde se libertou, qual mimo de mãe, calor acariciante. E ao borralho disseram-lhe toma, come, é uma castanha assada, quente e boa, e bebe, é vinho do porto. O que fez a um tempo, logo perguntando que tempo é este? Outono, responderam-lhe.

Um dia, outras paragens o chamaram. Para elas foi, levado por um equinócio.
Terra estranha! Cinzento era o céu, embora, a espaços, por ele espreitassem olhos azuis. O ar perscrutava, cirandando num vento frio e húmido, mordendo-o por dentro da roupa, gretando-lhe os lábios. Por isso, quiçá, deu-se ele a pensar, as pessoas não andavam como na terra da sua nascença, mas corriam dum lado para o outro, parecendo apressadas em chegar. Aonde? Provavelmente, a lado nenhum, vá lá saber-se!
Árvores de troncos e galhos despedidos do verde, humedecidos pelo chorar das nuvens, tendo por chão não terra e capim, mas tapetes de folhas amarelecidas, viu pela primeira vez, surpreso. Daquele chão, feito húmus, subiram-se-lhe odores só agora sentidos, aconchegando-se-lhe como aromas de um tempo novo. Diferentes, é certo, mas igualmente aprazíveis, dos das terras vermelhas e quentes molhadas pela chuva, deixadas para trás. Ao partir da tarde, agasalhou-se, deixando o coração liberto… Assim se entregou à chegada do sono.
Na manhã seguinte viu o Sol pintar o céu com azul de matizes mil, e dar luz aos cinzentos e brancos da terra, trazendo, também, um braçado de frio fino. O dia cresceu com amarelos e outras cores por si vistas pela primeira vez. Cores de uma paleta nova, que ele não sonhara existirem, dando vida a gentes e coisas, tirando-as das sombras. Por elas se encantou.
No repousante recanto da noite, antes do novo leito de amor o ter chamado, aprendeu a escolher as pinhas, a caruma e a lenha para acender a lareira de onde se libertou, qual mimo de mãe, calor acariciante. E ao borralho disseram-lhe toma, come, é uma castanha assada, quente e boa, e bebe, é vinho do porto. O que fez a um tempo, logo perguntando que tempo é este? Outono, responderam-lhe.