O Natal já foi!
Para muitos terá partido, sem mesmo ter chegado.
Naquela Noite a estrela, que eu vi, andava confusa, à procura de um Menino perdido. Num instante fugaz mostrou-me o que eu não queria ver: muitos outros meninos, olhando o céu, também eles buscando. O que eles encontraram foi apenas um céu escuro, sem luzes brilhando, mas apenas com lágrimas chorando.
Um dos meninos é aquele que ali está sentado à porta da cubata na Libata da Ilha da Quianda. A mãe, quitandeira, bate, numa panela entre as pernas, o funge que há-de juntar ao pirão do jantar, já feito na fogueira com a rama das casuarinas. O pai, pescador, dá jeitos na arte da pesca, que há-de lançar ao mar ximbicando por ele adentro, mal chegue a madrugada, procurando o peixe do sustento.
O menino sentado tem nas mãos um fio, que sobe por ali acima, segurando, na ponta, um papagaio de papel feito pelo pai. Acredita o menino (que ninguém lhe diga não ser assim) que o seu papagaio há-de passar o tecto do céu e entregar à Estrela o seu pedido: Ela que venha até cá abaixo, ao chão da sua Libata, para que a mãe e o pai não voltem a chorar.