…é o que as palavras simples têm de simpático, não sabem enganar.
(José Saramago)
(José Saramago)
Assim num de repente, não mais que isso, num de repente, as palavras vieram visitar-me. O encontro foi depois do almoço a dar para o mar. Estavam escritas nuns azulejos atarraxados às rochas, olhando para mim, de mãos postas no tempo que as criou.
Disseram o que quiseram, falaram na língua que lhes aprouve. Escutei-as, em mancebia com o marulhar. Li-as. Encontrei-me nelas, que mais não sou do que um país que outra pátria não conhece se não o mundo.
Disseram-me elas, que até ali chegarem navegaram por mares por onde o passar dos dias as levou, sem que eu saiba quem as inventou, que a tempestade não escolhe porto.
Olhei para as gaivotas, muitas em terra, e recolhi ao meu porto de abrigo, fintando a procela, iludindo as dores que me quiseram visitar!
E porque as palavras são pródigas, e, quando o queremos, também solidárias, desejo a todos uma boa semana, que se prepara para trajar de Segunda-feira.

Disseram o que quiseram, falaram na língua que lhes aprouve. Escutei-as, em mancebia com o marulhar. Li-as. Encontrei-me nelas, que mais não sou do que um país que outra pátria não conhece se não o mundo.
Disseram-me elas, que até ali chegarem navegaram por mares por onde o passar dos dias as levou, sem que eu saiba quem as inventou, que a tempestade não escolhe porto.
Olhei para as gaivotas, muitas em terra, e recolhi ao meu porto de abrigo, fintando a procela, iludindo as dores que me quiseram visitar!
E porque as palavras são pródigas, e, quando o queremos, também solidárias, desejo a todos uma boa semana, que se prepara para trajar de Segunda-feira.