
Lesto, quis agarrá-lo, mas acordei de mãos vazias!
Pois é!
Pois é!
Dos sonhos não se deve sair a correr. Primeiro, para não sermos apanhados estremunhados, e por isso desprevenidos. Depois, há que lhes dar tempo, deixá-los ganhar forma. Permitir que levedem, para que lhes conheçamos os contornos, vejamos as cores, ouçamos as vozes e outros sons, e até nalguns casos, lhes toquemos os corpos, olhemos as caras e lhes sintamos o coração. Tarefa difícil. No reino das fantasias reais, habitam prestidigitadores de técnica apurada, que muitas vezes nos confundem, ficando nós, sonhadores desamparados, sem saber se ainda lá estamos ou, se porventura, já não. Tentar regressar aos sonhos, buscando-lhes o fim, é sempre em vão. Explicá-los também não é contenda fácil, embora muita gente passe a vida numa azáfama, procurando fazê-lo.
O sonho da noite passada estava a dizer-me, não consigo perceber a que propósito, que há quem não goste que os deuses sejam humanos, e eu estava a responder-lhe que Deus não é homem para andar por aí com essas coisas, quando se me abriram os olhos!
Muitas vezes se desperta de um sonho qualquer e se mergulha, de seguida, num mau conselho. Por aí não vale a pena ir!