
A minha cubata foi distinguida, honrada, com este selo. A Fê blue-bird, uma amiga virtual, é senhora dum blogue onde sempre se encontra a poesia, acrescida à sensibilidade dos seus textos, versando, a mais das vezes, a realidade em que vivemos. Os poemas que partilha com quem a visita, são autênticas pérolas por ela recolhidas do sonho dum mundo onde os sonhos são a vida, e, habitam os poetas. Eu, que não sou poeta, tenho o direito de gostar de poesia. E gosto! Utilizando um linguarejar da terra africana onde nasci, entro por ela, a poesia, como um garfo desatinado num arroz de cabidela à procura das miudezas. Sempre que toco num poema tremem-me os dedos, talvez receosos de se encontrarem com as confidências da vida de que os poetas nos querem falar. Amiga Fê muito obrigado pela honra que me concedeu ao afirmar-se amiga da minha cubata. Agora ofereço-lhe, a si, e a todos os amigos que por aqui passarem, este poema de Alda Lara, poetisa angolana (Benguela, 1930 – Cambambe, 1962).
Quadras da minha solidão
Fica longe o sol que vi,
aquecer meu corpo outrora...
Como é breve o sol daqui!
E como é longa esta hora...
Donde estou vejo partir
quem parte certo e feliz.
Só eu fico. E sonho ir,
rumo ao sol do meu país...
Por isso as asas dormentes,
suspiram por outro céu.
Mas ai delas! tão doentes,
não podem voar mais eu...
que comigo, preso a mim,
tudo quanto sei de cor...
Chamem-lhe nomes sem fim,
por todos responde a dor.
Mas dor de quê? dor de quem,
se nada tenho a sofrer?...
Saudade?...Amor?...Sei lá bem!
É qualquer coisa a morrer...
E assim, no pulso dos dias,
sinto chegar outro Outono...
passam as horas esguias,
levando o meu abandono...
aquecer meu corpo outrora...
Como é breve o sol daqui!
E como é longa esta hora...
Donde estou vejo partir
quem parte certo e feliz.
Só eu fico. E sonho ir,
rumo ao sol do meu país...
Por isso as asas dormentes,
suspiram por outro céu.
Mas ai delas! tão doentes,
não podem voar mais eu...
que comigo, preso a mim,
tudo quanto sei de cor...
Chamem-lhe nomes sem fim,
por todos responde a dor.
Mas dor de quê? dor de quem,
se nada tenho a sofrer?...
Saudade?...Amor?...Sei lá bem!
É qualquer coisa a morrer...
E assim, no pulso dos dias,
sinto chegar outro Outono...
passam as horas esguias,
levando o meu abandono...
(Desejo a todos um bom fim-de-semana)