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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Pedido ao Pai Natal

Sei que andas cansado, de bússola na mão, de dores às costas. Sei que olhas em redor, observas a intolerância, a estupidez, a ignorância, a fraternidade desaparecida, a ingratidão, e meditas. Meditas, e de ti não se desgruda o travo amargo da vida que vais vendo.
Sei que acordas, por vezes, mais cedo do que gostarias, sem nada que queiras fazer.
Sei que, no teu passo já curto e algo incerto, quando te pões a andar caminhas contra o vento, não deixando que ele te sopre pelas costas, e sei que as tuas mãos continuam fortes, com elas agarrando a trovoada.
Sei que sabes que o tempo não espera. Por isso deixaste de andar só pelos caminhos. Por eles vais com o amor por companhia.
Sei, sei tudo isso, e mais: sei que te inventas a cada momento, revigorado, com a liberdade no peito onde o teu coração sente e sangra.
Por isso sei, Pai Natal, que me podes dar o presente que quero: um País sem gentes postiças.
Obrigado.
Para ti, um Bom Natal.