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sábado, 4 de julho de 2009

Eleições no Benfica



Quem ontem tivesse chegado a este país e visse a SIC e a TVI teria rapidamente chegado à conclusão que Portugal estava à beira de um ataque de nervos, tal a histeria que se apossou daqueles canais televisivos na cobertura das eleições no Benfica.


Numa e noutra das televisões foi visível a perda da racionalidade. Por elas desfilaram advogados em constante procura de inatingidos argumentos, magistrados a debitarem opiniões, colunistas, comentadores, analistas e jornalistas a falarem sem que nada de jeito se ouvisse.
O mote foi uma providência cautelar interposta por um dos dois candidatos à presidência do clube, à partida previsível perdedor, que fez explodir um imbróglio jurídico que ninguém percebeu. No fundo, isto é apenas um supor pessoal, pareceu que o que o requerente tentou foi ganhar eleições com lista única, impedindo a outra de concorrer, o que não aconteceu. Perdeu, conquistando pouco mais de 2% dos votos, enquanto o adversário ultrapassou os 90%, num universo de mais de vinte mil eleitores!
Nunca a trapalhada foi explicada ao longo das emissões. Falou-se, falou-se. Quanto mais se falou, mais se atou a confusão. Nada se disse a esclarecer os espectadores. A informação, se tal se lhe pode chamar, perdeu dignidade, o mesmo acontecendo a quem a transmitiu.
Foi degradante ver o pantanal de promiscuidade a que chegaram a política e o futebol. O candidato vencedor teve como mandatário, que se apresentou a seu lado e por ele falou sempre que necessário, um político profissional: Fernando Seara do PSD, e a apoiá-lo com abraços públicos e votos, de entre outros, um ministro do governo PS: Rui Pereira (Administração Interna).
Preocupante ter-se visto um juiz (Rui Rangel) figura sobejamente conhecida pelas suas constantes aparições na TV, a dar voz a um movimento de oposição ao vencedor, mas que não foi a votos por falta de candidato.
Os benfiquistas encolheram os ombros (sinal de resignação?) e lá compareceram de cartão de sócio e boletim de voto na mão.
A Nação benfiquista acordou hoje com o mesmo presidente que tinha ontem!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Benfica (JEM, ainda não)




Ufa!


A Prisa, grupo espanhol accionista maioritário da TVI ter-lhe-á dado luz verde para se candidatar à presidência do Benfica, autorizando-o a suspender as suas funções no canal televisivo. Os espanhóis ter-lhe-ão assegurado que se ganhasse ficaria como consultor do grupo para a Península Ibérica, se perdesse voltaria para a TVI. Os que o convidaram, “Movimento Benfica, Vencer, Vencer”, ter-lhe-ão garantido um salário líquido mensal de cinquenta mil euros, a suportar por investidores estrangeiros. Nada mau!
José Eduardo Moniz (JEM) ponderou. A Prisa, entretanto, recuou: se perdesse, JEM não voltaria à TVI. JEM decidiu não aceitar o desafio da candidatura. Anunciou-o em Conferência de Imprensa, ontem, passava um pouco das 21 horas. As televisões apareceram, concedendo-lhe amplo espaço de antena em horário nobre.
JEM aduziu as razões da recusa, afirmando, a dada altura, não precisar do Benfica para obter projecção! Ao optar pela Conferência de Imprensa para dizer não aos que o convidaram, contradisse-se, pois somou, obviamente, uma parcela importante à sua quota de notoriedade à custa do Benfica. Segundos de televisão valem mais do que milhares de caracteres impressos em páginas de jornais, ele sabe-o como poucos em Portugal, e teve largos minutos. Nem o Capitão Gancho tanto lhe deu mas, é sabido, o Glorioso é um mãos largas.
Falando sobre a decisão de JEM, Miguel Sousa Tavares (MST), comentador da TVI, considerou-a uma boa notícia para a TVI e para o Futebol Clube do Porto. Não surpreende – MST e JEM são amigos e a continuidade de JEM não põe em risco o seu lugar na cadeira de comentários das notícias. O mesmo não se pode dizer de MST e Pinto da Costa (PC), o patrão dos dragões, conhecida que é a opinião de MST sobre PC. JEM não será, para já, presidente do Benfica. Digo para já porque se lhe garantirem condições financeiras sólidas para se pagar a si próprio e a um exército profissional, catequizado e submisso, ele avançará para comandar as tropas! Por agora, não. Ainda bem, ufa!!!
Está-se a ver o Benfica com uma primeira-dama como Manuela Moura Guedes (MMG)?!?
Já sei, já sei que MMG parece ter dito a JEM para não avançar para os votos. E depois? O perigo rondou.
Ah, pois, pode acontecer-me o mesmo que ao sujeito que estava no elevador e não respondeu à boa tarde que outro lhe deu ao entrar: quando o elevador começou a subida quebrou o silêncio e perguntou ao chegado: para que andar vai? A resposta foi assim: o que é que você tem com isso?!?. Meta-se na sua vida!
Mas, oh senhores, é com a minha vida que estou a meter-me!

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Tristeza (Benfica)





Rapazes sem jeito






Há muito que se sabe ser a terra redonda.
Os caldeus, os hindus, os egípcios, para não citar outros, já se referiam à esferacidade de terra. Na Antiga Grécia, o tema era assunto corrente.
No século IV antes de Cristo, Aristóteles demonstrou-o por A+B (quer dizer com argumentos seus), e elaborou mesmo uma teoria astronómica. Dois séculos depois Ptolomeu pegou nos argumentos de Aristóteles e defendeu-os.
Mais tarde vieram certezas científicas: a Terra é redonda ligeiramente achatada nos pólos e mexe-se com movimentos de duração variável. Cinco deles: Rotação, em torno de si próprio (24 horas); Translação em volta do Sol (365 dias e 6 horas), Precessão, deslocação do seu eixo como um pião (25.868 anos); Nutação, pequena oscilação periódica (ciclos de 18,6 anos) e Revolução em redor do centro da Vila Láctea, levando com ela o Sol, que também não está fixo lá em cima, (250 milhões de anos - nunca mais acaba!).

A bola de futebol não é, como a Terra, redonda e achatada. É só redonda, mas é chata!
Pelo menos para os futebolistas do Benfica, que não tendo Aristóteles ou Ptolomeu à mão, ainda não perceberam como é que ela se movimenta e como é que na dita se mexe.
Se a atiram para a baliza contrária é certo e sabido que há-de um espectador apanhar com ela, ficando o guarda-redes a ver a banda passar. Se a recebem de um companheiro, rente à relva, ficam sem saber que movimento ela traz, e que pé lhe hão-de chegar. Vai o esquerdo e ela escapa-se, esticam o direito e ela foge. Quando vem pelo ar, param especados à espera que o azimute lhes caia do céu. Entretanto, já o adversário lá foi. Então, caiem e pedem, por gestos, ao árbitro que mostre um cartão ao adversário (coisa feia!). Quando por teimosia da bola (o esférico, ou pelota – aí Brasil! – como também lhe chamam) esta lhes chega aos pés, ensarilham-se, sem saber o que fazer à criatura, que não se mostrando rogada vai à procura de outras canetas, ou rola sobre si mesma para fora. Depois, mãos à cabeça, olhos para o céu, um ar incrédulo e, muitas vezes, o sinal da cruz! Cristo nunca jogou à bola, que eu saiba, e Deus deve ter mais que fazer! A bola dos futebolistas do Benfica não é, como as outras, redonda, é mesmo só chata!
Sou um inculto futebolístico. Admito-o, mas aquilo dá para ver.
Gosto do espectáculo quando a televisão o passa. É muita gente, imenso ruído, águias a voar, grandes planos de crianças besuntadas por gelados, mães protestando com os falhanços, pais roendo as unhas, outros ao telemóvel, outros, e outras, ainda, a caretear para as câmaras. Ah! E também 22 futebolistas e um rapaz de apito na mão sobre a relva. Todos contra este (o árbitro), um intruso que ali foi posto para estragar o espectáculo. Lá aparecem marjoretes, no intervalo, a adocicar. Tudo aquilo enchendo o ecrã, mais os comentadores que me entram pelos ouvidos fazendo-me rir de tanta parvoeira: é o mágico, é o matador, é o fora de jogo à tangente (provavelmente há-os à secante) é o…, sei lá que mais.
Desde miúdo, talvez por um daqueles fascínios que nos seduzem sem sabermos porquê, torço (aí Brasil, de novo!) pelo Benfica.
E ando triste porque aqueles rapazes a que chamam futebolistas passam a vida a fazer queixinhas (detesto queixinhas) dos árbitros, do público, dos adversários e até dos colegas. Aqueles rapazes também se portam mal, porque tratam mal a desgraçada da bola e, por arrasto, tratam-me mal a mim. E têm a obrigação de o não fazer.
O que estudaram e sofreram Aristóteles e Ptolomeu para nos deixarem os conhecimentos de que ainda hoje desfrutamos, sem nada em paga.
Para maltratarem o futebol (ou nem isso, pois muitos deles passam parte da vida no banco dos suplentes, no corte e costura) aqueles rapazes do Benfica ganham, num só mês, o que um cidadão comum amealha, com esforço, ao longo de uma vida inteira de trabalho! Não há paciente que aguente!
Solução: passem a pagar-lhes, mensalmente, dois salários mínimos (vá lá quatro, que a bica está cara!). Talvez deixem as queixinhas e aprendam a tratar da bola, que é como quem diz a jogar futebol.
Se não resultar, mandem-nos para casa e arranjem outros mais baratinhos e com vontade de se ajeitarem. Pode ser que a minha tristeza benfiquista ganhe a esperança de um dia não ser mais triste não, como diz o poeta.
Então, e o treinador? Pois! O rapaz espanhol só se assemelha a um treinador, não é. Não me parece que seja treinador quem após uma derrota diz terem sido alcançados “objectivos invisíveis” (só ele, meus, só ele) e considere o 3º lugar uma boa classificação, ou afaste um futebolista, de provas dadas, com o argumento de que precisa de “ver o jogo de fora”e ponha outros no seu lugar que, estando dentro, nada vêem nem fazem. Falta-lhe, vontade, querer, ambição e o mais importante: sabedoria. Não me parece que seja treinador (aqui como líder e orientador de homens) quem trate um seu ex-futebolista como “uma pessoa que mostrou ser medíocre”. O rapaz é vazio de formação cívica, e desconhece a boa educação.
Solução: que saia pelo seu pé.
E os dirigentes? A raiz da tristeza benfiquista.