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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Carta ao Pai Natal

Pelos vistos falta-me o jeito para te escrever.

No ano passado, mais ou menos por esta altura, enviei-te uma carta. Sei que foi recebida porque a mandei registada e com aviso de recepção. Desconheço é se te foi parar às mãos. Para o caso de não a teres lido digo-te, agora, que nela te pedia como presente um País sem gentes fingidas.
Olha o que aconteceu:
Em Junho passado um rapaz com ar de obstipado permanente apresentou-se às eleições, fingindo ser o que não é. Elegeram-no, eu não! É agora pm, assim, em caixa baixa.
Chegado ao galho mais alto porta-se como elefante em loja de cristal. Faz disparate atrás de disparate. Entrevistas dá ele, a torto e a direito, a uma comunicação social acrítica, domada, solícita e veneradora. O que diz ele?
O país está mal? Ainda vai piorar. A crise? Ainda vai aumentar. Tempos difíceis? Esperem pelo próximo ano. Austeridade? Não há que saber, cura-se com mais austeridade. Os jovens sem trabalho? Esses que vão lá para fora, chatear outros, que aqui não há bucha para eles, e o governo tem mais que fazer.
E muitos, muitos mais disparates, o último dos quais sobre os milhares de professores desempregados. Milhares de professores desempregados!? Emigrem, emigrem, vão para Angola ou para o Brasil, lá precisam de mão-de-obra qualificada.
E mais te poderia dizer, Pai Natal. Deixa-me só acrescentar:
Há quem não a veja, mas sobre o meu país cai, permanente, uma chuva sabendo a dor. A neblina é densa, cinzenta, fria. A luz não passa por ela. Não nos deixa extrair a beleza da vida. Até os sonhos já nascem mortos.
Achas, Pai Natal, que isto tem algum jeito?