Em 2008 Manuela Ferreira Leite era presidente do PSD. A propósito das reformas na Justiça, que o então Governo de José Sócrates tentava levar a cabo, disse isto:
[“Eu não acredito em reformas, quando se está em democracia...Quando não se está em democracia é outra conversa, eu digo como é que é e faz-se…E até não sei se a certa altura não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia»]. Não chegou a primeiro-ministro e não conseguiu matar a Democracia que, embora adoentada, continua entre nós.
Agora, em 2012, foi a um programa da SIC Notícias. A dada altura a moderadora Ana Lourenço perguntou a António Barreto, outro dos convidados: "Não acha abominável que se discuta que alguém com 70 anos tenha direito à hemodiálise ou não?"
A pergunta não era para ela, mas Manuela chegou-se à frente e respondeu:
["Tem sempre direito se pagar."]
[“Eu não acredito em reformas, quando se está em democracia...Quando não se está em democracia é outra conversa, eu digo como é que é e faz-se…E até não sei se a certa altura não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia»]. Não chegou a primeiro-ministro e não conseguiu matar a Democracia que, embora adoentada, continua entre nós.
Agora, em 2012, foi a um programa da SIC Notícias. A dada altura a moderadora Ana Lourenço perguntou a António Barreto, outro dos convidados: "Não acha abominável que se discuta que alguém com 70 anos tenha direito à hemodiálise ou não?"
A pergunta não era para ela, mas Manuela chegou-se à frente e respondeu:
["Tem sempre direito se pagar."]
Abominável afirmação a desta mulher. Sabe ela, por certo, que a alternativa à hemodiálise é a morte e que a esmagadora maioria dos nossos idosos que dela necessita recorre ao Serviço Nacional de Saúde por não ter dinheiro para ir ao privado.
Não matou a Democracia, mas persiste na sua senha exterminadora. Agora, se ela pudesse, executaria os velhos doentes que, para ela, não passam de gente incómoda. Gente que passou a vida a descontar para que, chegada à idade avançada lhe seja garantida assistência na doença.
Eduardo Catroga, o homem que elaborou o programa eleitoral do PSD e um dia disse que os jornalistas não faziam notícias, mas andavam a “pentear pentelhos”, está reformado com uma pensão de 9.800 euros. Estava! Passos Coelho pagou-lhe a factura. Catroga vai ocupar o cargo de presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP privatizada, que lhe renderá 639 mil euros anuais, durante os três anos do mandato.
Perguntou-lhe um jornalista se abdicaria da reforma. Porquê? Respondeu. E acrescentou: [“os portugueses deviam preocupar-se com a economia e não com ninharias”]. Ninharias! 9.800 euros de reforma mais um salário mensal a rondar os 45.000 euros!
Cavaco Silva, o PR, mandou suspender, por força da lei, o seu vencimento de 7.415 euros mensais, optando por receber “apenas” as duas pensões que tem, no valor de 10.042 euros por mês. Uma da Universidade Nova de Lisboa, outra do Banco de Portugal. Aguarda agora, ansioso, que não lhe subtraiam da pensão do Banco de Portugal os subsídios de férias e de Natal, já que os funcionários do Banco Emissor os irão manter, ao contrário do que acontecerá com os funcionários públicos e pensionistas.
Cavaco Silva nada diz, e o que fala é nada. Suga em silêncio!Como bem escreveu hoje Manuel António Pina, na sua crónica no JN, este é”um eloquente sinal dos tempos que vivemos e da qualidade moral de certas elites hoje influentes no país”.
PS
Já depois deste post escrito ouvi o PM afirmar na TV que nas nomeações para a EDP não houve dedo do Governo. Pois não! Houve mãos, e mãos cheias. Até o patrão de Passos Coelho, quando este trabalhava na Fomentiveste, o empresário Ilídio Pinho, lá foi parar. Por obra e graça do Espírito Santo, claro!