Por quantas areias soltas, de noites abertas, caminhou! Quantas nuvens trazidas pelo vento, ou deixadas pela chuva, o viram passar!Dobrou esquinas e contra esquinas, chegou a becos, neles volteando buscando saídas, soltando-se por muitas delas com silêncios agarrados. Silêncios de sons confusos e múltiplos. Silêncios demais.
Na quicumba com que se meteu ao caminho levou a esperança de vislumbrar o halo que ele sonhara existir. Paredes de noites e regaços de manhãs foram sítios de seus descansos, para logo prosseguir. Vezes houve em que adormeceu sob o manto de madrugadas cacimbeiras, delas despertando com o medo fervendo-lhe por dentro, querendo chegar, rápido, ao amanhã.
Andou por verdades diferentes, desprezando mujimbos. Aprendeu palavras e gestos. Palavras do seu sentir, maneiras do seu fazer. Afastou pedras. Ameigou caminhos ao seu jeito de andar. Com mãos de alegria e o coração batendo forte, teceu a liberdade de querer ser. Escondeu esgares cinzentos. Foi deixando o ontem para trás.
Pisou, descalço, terra molhada por lágrimas do céu, sob elas se lavando. Beijou a Mafumeira da lagoa da surucucu, onde mergulhou com amigos kimbundos, de pé descalço como ele. Viu a Lua e as estrelas pratearem o mar da Kyanda.
Namorou acácias, casuarinas, tamarindeiros e doces de jinguba da senhora que lavava a roupa de filho às costas. Com esta comeu o funge e o pirão e bebeu água da celha. Foi ela que um dia lhe tirou uma matacanha, que atrevida se instalara e fizera casulo num dedo do pé.
Palmilhou quintais de musseques. Rebitou, sacudindo a poeira levantada. Ouviu t’espero! Saboreou o calor partilhado sobre os luandos da esteira vivida a dois. Provou o picante do caluqueta, o sabor mulato do caju e da manga, o doce vermelho da pitanga, o açúcar do sape-sape e da fruta-pinha. Deixou que o marufo lhe tangesse a garganta. Amou e sorriu, sofreu, aprendeu a chorar.
Passou ao lado de encontros com a irmã da vida, soltando fagulhas da alma em fogo.
Um dia voltou às areias soltas, por elas caminhado, passo a passo, malembe malembe. Adormeceu, cansado, cara crescida, olhos pousados no peito. Logo despertou, alvoraçado, correndo pela luz do dia, libertando grãos brilhantes, criadores, ao encontro da sua a alma gémea.

Na quicumba com que se meteu ao caminho levou a esperança de vislumbrar o halo que ele sonhara existir. Paredes de noites e regaços de manhãs foram sítios de seus descansos, para logo prosseguir. Vezes houve em que adormeceu sob o manto de madrugadas cacimbeiras, delas despertando com o medo fervendo-lhe por dentro, querendo chegar, rápido, ao amanhã.
Andou por verdades diferentes, desprezando mujimbos. Aprendeu palavras e gestos. Palavras do seu sentir, maneiras do seu fazer. Afastou pedras. Ameigou caminhos ao seu jeito de andar. Com mãos de alegria e o coração batendo forte, teceu a liberdade de querer ser. Escondeu esgares cinzentos. Foi deixando o ontem para trás.
Pisou, descalço, terra molhada por lágrimas do céu, sob elas se lavando. Beijou a Mafumeira da lagoa da surucucu, onde mergulhou com amigos kimbundos, de pé descalço como ele. Viu a Lua e as estrelas pratearem o mar da Kyanda.
Namorou acácias, casuarinas, tamarindeiros e doces de jinguba da senhora que lavava a roupa de filho às costas. Com esta comeu o funge e o pirão e bebeu água da celha. Foi ela que um dia lhe tirou uma matacanha, que atrevida se instalara e fizera casulo num dedo do pé.
Palmilhou quintais de musseques. Rebitou, sacudindo a poeira levantada. Ouviu t’espero! Saboreou o calor partilhado sobre os luandos da esteira vivida a dois. Provou o picante do caluqueta, o sabor mulato do caju e da manga, o doce vermelho da pitanga, o açúcar do sape-sape e da fruta-pinha. Deixou que o marufo lhe tangesse a garganta. Amou e sorriu, sofreu, aprendeu a chorar.
Passou ao lado de encontros com a irmã da vida, soltando fagulhas da alma em fogo.
Um dia voltou às areias soltas, por elas caminhado, passo a passo, malembe malembe. Adormeceu, cansado, cara crescida, olhos pousados no peito. Logo despertou, alvoraçado, correndo pela luz do dia, libertando grãos brilhantes, criadores, ao encontro da sua a alma gémea.