Mostrar mensagens com a etiqueta Viajante (Que hei-de fazer a este tempo todo?). Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Viajante (Que hei-de fazer a este tempo todo?). Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Sonho do Viajante

Que hei-de fazer
a este tempo todo?
Andei por um sonho de roupas usadas. Nele me encontrei com gente esquisita, bruxas sem piaçaba, dragões apagados, cavaleiros apeados, virgens perdidas correndo pelo vale de um rio seco. No meio de uma mata a Bela e ele, dormindo ambos.
Aquilo era terra sem mar nem ar, nem Sol, nem chuva, e Lua não tinha. Não dava para sonhar, mas continuei.
Também por lá vi uma lâmpada, baça, de génio despejada. Caminhei por uma estrada, em que mais ninguém viajava. Ao fundo dei com uma gruta de portas escancaradas. Lá estavam, não quarenta, mas mais de mil, agarrados a tetas que, adormecidas, se deixavam sugar. Um deles, ser de olhos faulhentos e dentes saídos, intimou-me a sair.
Cá fora havia um coreto. Um maestro nu dirigia, de batuta na mão. Não vi quem tocava, apenas ouvi uma música lânguida e triste. Para lá do caramanchão pastava um rebanho de carneiros por sobre relva amarela. Na terra do lado, tingida de vermelho, espantalhos faziam que dançavam.
Saltei, então, do sonho.
Despertei com iras, tempestades e calmarias inventadas, a um tempo só!
Que hei-de fazer a este tempo todo?
Estou sem paciência para repousar o pensamento.
E vocês, que fariam?

(Creio já o ter dito. O Viajante passou a viver nesta cubata com o Mwata e comigo. Julgo que este sonho o terá tido numa viagem que fez à terra dos lusitanos)