Depois de publicado o post de ontem, sobre o 4 de Fevereiro de 1961 em Luanda, recebi alguns e-mails de leitores habituais do meu blogue, e telefonemas de amigos. Não entraram para comentar, mas pediram-me para falar da Jamba. Surpreendido pelo interesse que, tantos anos depois a Jamba ainda suscita, correspondo ao que me foi pedido.
Durante as sanguinárias guerras civis que, após a independência, dilaceraram o povo angolano, a Jamba ocupou um lugar proeminente no imaginário dos portugueses, em especial dos que nutriam (e nutrem) simpatias pela UNITA. Terra mítica a que o então carismático líder daquele movimento (hoje activo, embora minoritário, partido político angolano), Jonas Savimbi, chamou o bastião da sua resistência contra o Governo de Angola, considerando-a «uma conquista política sobre o imperialismo, como foi Londres, sob o comando de Wiston Churchill, sobre o nazismo, e que nunca fechará sobre a história de Angola», o que era, afinal, a Jamba?
Tendo lá estado, por mais de uma vez, assim a descrevi em Junho de 2002:
“…Situada no extremo Sudeste de Angola, para lá de Mavinga, nas chamadas «Terras do fim do Mundo», encravada entre a Zâmbia e a Faixa de Caprivi, a Jamba que eu vi, que a UNITA me mostrou, em visitas sempre acompanhadas, era um conjunto de pequenas sanzalas circulares, cada uma com seis ou sete palhotas e um Jango central (casa de reuniões), distantes alguns quilómetros entre si, interligando-se por um conjunto de picadas limpas e cuidadas. Num dos cruzamentos da mini-rede rodoviária, estava colocado um polícia-sinaleiro. — O célebre sinaleiro da Jamba, tão filmado e fotografado. A este ponto, iam dar a estrada do aeródromo e duas outras: uma da Namíbia, a 80 quilómetros de distância; outra da Zâmbia, a 60. Pela da Namíbia, ocupada pelas tropas sul-africanas até 21 de Março de 1990, chegavam os alimentos, bebidas, tecidos, medicamentos, armas, combustíveis e todo o material de apoio logístico, em colunas organizadas pelo regime do Apartheid, desde sempre apelante incondicional de Jonas Savimbi. Era, também, uma das vias por onde o Exército de Pretória entrava em Angola, sempre que a UNITA pedia o seu auxílio…”
Podem continuar a leitura aqui.
Espero ter correspondido ao interesse dos que me levaram a falar sobre a Jamba.
Um abraço e bom fim-de-semana.

Durante as sanguinárias guerras civis que, após a independência, dilaceraram o povo angolano, a Jamba ocupou um lugar proeminente no imaginário dos portugueses, em especial dos que nutriam (e nutrem) simpatias pela UNITA. Terra mítica a que o então carismático líder daquele movimento (hoje activo, embora minoritário, partido político angolano), Jonas Savimbi, chamou o bastião da sua resistência contra o Governo de Angola, considerando-a «uma conquista política sobre o imperialismo, como foi Londres, sob o comando de Wiston Churchill, sobre o nazismo, e que nunca fechará sobre a história de Angola», o que era, afinal, a Jamba?
Tendo lá estado, por mais de uma vez, assim a descrevi em Junho de 2002:
“…Situada no extremo Sudeste de Angola, para lá de Mavinga, nas chamadas «Terras do fim do Mundo», encravada entre a Zâmbia e a Faixa de Caprivi, a Jamba que eu vi, que a UNITA me mostrou, em visitas sempre acompanhadas, era um conjunto de pequenas sanzalas circulares, cada uma com seis ou sete palhotas e um Jango central (casa de reuniões), distantes alguns quilómetros entre si, interligando-se por um conjunto de picadas limpas e cuidadas. Num dos cruzamentos da mini-rede rodoviária, estava colocado um polícia-sinaleiro. — O célebre sinaleiro da Jamba, tão filmado e fotografado. A este ponto, iam dar a estrada do aeródromo e duas outras: uma da Namíbia, a 80 quilómetros de distância; outra da Zâmbia, a 60. Pela da Namíbia, ocupada pelas tropas sul-africanas até 21 de Março de 1990, chegavam os alimentos, bebidas, tecidos, medicamentos, armas, combustíveis e todo o material de apoio logístico, em colunas organizadas pelo regime do Apartheid, desde sempre apelante incondicional de Jonas Savimbi. Era, também, uma das vias por onde o Exército de Pretória entrava em Angola, sempre que a UNITA pedia o seu auxílio…”
Podem continuar a leitura aqui.
Espero ter correspondido ao interesse dos que me levaram a falar sobre a Jamba.
Um abraço e bom fim-de-semana.