

A ambas agradeço a distinção, que muito honra esta minha e vossa cubata.
Encurtemos distâncias, falando pouco e bem. As palavras medíocres nada nos contam; as boas explicam-nos quase tudo. Sigamos, a vida é breve!


A ambas agradeço a distinção, que muito honra esta minha e vossa cubata.

3 de Junho.
("Namoro" - Almada Negreiros)
Oferecido pela Maria Teresa (Beijinhos embrulhados). Exemplo a seguir?! O selo traz quatro requisitos. Satisfaço-os.1- Citar dois defeitos
- de nascença: sou teimoso. Adquirido: fumo.
2- Citar duas qualidades
- sou solidário e fraterno
3- Indicar uma música que seja ou esteja a ser a trilha sonora da minha vida
- a trilha sonora da minha vida tem sido o bater do meu coração, que não é de ferro.
4- Por fim uma frase que eu use como mantra
- se mantra quer aqui significar oração, qualquer que seja, não uso. Não oro.
Este chegou-me da Teresa (Os meus óculos do mundo) e da Helga (Planícies da memória). Às duas agradeço tamanha gentileza. Devo:
1. Enumerar 3 Sonhos
- amanhã não haverá crianças a chorar de fome e de medo;
- os pedófilos serão extintos;
- a Humanidade desaprenderá a palavra guerra;
2. Enumerar 3 pecados/tentações
Transgressões de preceitos religiosos não serão, certamente, porque não ando por aí. Tentações são-no, de facto!
- o cigarro, o pastel de nata e o vinho tinto.
3. Comentar no blogue criador do selo
- como certeza, apenas esta: comentarei nos blogs que mo ofereceram.
A ematejoca diz ser o meu um blog clássico! Obrigado, amiga de longe. Que tudo continue bem aí por Düsseldorf. Quer ela que eu diga qual é a minha flor preferida e refira uma mezinha caseira. Pois bem:
- rosa vermelha;
- xarope de cenoura. Faz bem a tudo, até à mania de que aquilo cura todas as maleitas!
Escrito a dois
(A Maria João e eu)
Foi no regresso de férias.
Noventa quilómetros antes de chegar a casa, mais metro menos centímetro, saímos da auto-estrada. Decidíramos passar pela cidade à beira Sado, que não víamos há muitos anos. Numa das esplanadas da avenida dando para o rio pedimos dois cafés e uma água fresca. Ali estávamos, descansando, quando na borda da esplanada apareceu um grupo de adolescentes, entre os 14 e os 16 anos, pareceu-nos, em caminhada ruidosa.
Surgiram vestidas de mini-saia, cintura caída e blusas de grande decote. Cabelos tombados pelos ombros, sobrancelhas engrossadas, lábios e olhos pintados, maçãs do rosto avermelhadas, garrafa de cerveja na mão, algumas de cigarro na boca, outras com ele em boquilhas. Bamboleavam-se, em jeitos insinuantes, como prostitutas da noite em qualquer beco esconso. Uma delas, mais velha, talvez na casa dos 30, fotografava o grupo e quem estava sentado na esplanada. E lá foram, roçando-se por um e por outro, provocantes. Estranho… aquele triste desfilar!
Numa mesa ao lado sentava-se um casal. Ouvimos a voz masculina: “é assim que elas começam!”. De outras chegaram-nos gargalhadas alarves. De que se ria aquela gente?!
De repente uma das minhas canadianas, encostada à cadeira, foi pelos ares. Um rapaz, aparentando a mesma idade das raparigas dera-lhe um pontapé. Sem nada dizer seguiu trôpego, também de garrafa de cerveja na mão, visivelmente etilizado, juntando-se à algazarra do grupo.
Que espécie de humanidade é esta?!
De novo a voz da mesa ao lado: “se fosse comigo dava-lhe umas bofetadas!”.
Claro que não dei. Para violência chegara-me o espectáculo a que assistira. Os risos, esses, continuaram…
Deixámos a mesa e fomos para a beira-rio, à barraquinha dos doces regionais e dos pinhões, as sementes de pinheiro manso em que a região é fértil. Para além da pergunta quanto custa, manifestámos à senhora vendedora das iguarias a nossa perplexidade (e não só!) pelo que viramos.
Não tem mal, são do teatro da escola, disse ela.
Do teatro da escola…?!
Regressámos pensando haver muitos jardins onde botões ficarão por florescer. Murcharão antes de tempo.
Depois de ter escrito este post encontrei no blog Pequenos Detalhes, da Maria João, amiga virtual desde a primeira hora, já lá vai mais de um ano, que um dia (quem sabe?!) conhecerei pessoalmente, um texto que me seduziu. Pensei: como eu gostaria de o ter escrito! Como este poema tem tanto a ver com o que senti! Pedi-lho emprestado para rematar, com chave de ouro, o meu post. Sensível, solidária e fraterna como é, ela autorizou-me a publicá-lo. Aqui o deixo, fazendo do meu post uma escrita a dois, uma partilha de sentimentos que muito me honra. Obrigado, Maria João.





nng, ao centro na foto, não foi enforcado por ter sido encontrado morto na sua cela.


Na madrugada de 25 de Abril de 1974, o meu País derrubou a cerca de grandes muros em que, de há muito, o haviam aprisionado. Rasgaram-se as trevas que o cobriam. O dia amanheceu com cravos florindo na boca de espingardas. Em festa, o povo saiu às ruas gritando palavras até então amordaçadas e proibidas. Uma revolução com flores reconquistara a Liberdade. Os presos políticos, muitos torturados pelos algozes da ditadura, foram libertados. Do exílio regressaram os que tinham dedicado a vida à luta pela Liberdade. Assassinados pela ditadura, muitos ficaram pelo caminho. Nascera o sonho de um País novo, do homem novo. Sonho tantas vezes sonhado!
Não se lembra de ter sido criança, como toda a gente.
Não tem farrapos de vida escritos em diários, ou livros para ler.
As flores olham-na como igual, falam-lhe. Ela responde-lhes, ensinando-lhes os nomes que lhe disseram terem as estrelas, o mar, os rios e tudo o que a rodeia.
Vive com uma esteira a que todas as manhãs se enrola com gemidos de dor guardados, que leva de noites de entrega na troca por mais um dia.
Neste alvorecer pousa-lhe no colo uma flor sem haste. É um cravo vermelho do Universo, que desceu a procurá-la.
- Ergue-te, diz-lhe, não mais te entregues, vai procurar o porvir.
Ousando acreditar, borbulhando-lhe no sangue novas nascentes, ela vai.
Saio a procurar o porvir
De amor e luz não de escura dor
Não de solidão nem compaixão
Mas de um jardim de fios de seda
Saio a procurar existências pensadas
Um agora de cidades não desertas
Com ruas sem palavras pisadas
De gentes abertas
Em que as sombras sejam de luz
Ter nelas o que me seduz
Flores que não murcham
Rios que correm felizes
E às estrelas murmuram
Saudades de distantes Belizes
E perfeições imperfeitas
Sem vozes desfeitas
Vou continuar
Docemente
Por um cabelo teu andar
Teu rosto ameigar
Como quando eras fagueira
Procurar-te o olhar e nele deixar
Não um rio a orar
Mas mar a alagar a fogueira
Que meu coração sente
Me queima e contrista
Por te sentir a querer abalar
Emplumada e de crista
Sem quereres saber
Ir no vento do nada falar
Ó pedante e enleante
Ó cróia a valer
Com quem te dás tu?
Quem te disse, ó vida
O que me queres dizer?
(Desejo-vos um bom fim-de-semana. Que o Domingo, Dia da Liberdade, seja um excelente dia para todos)