domingo, 12 de junho de 2011

O ataque ao pote

“Este é o momento…de se correr atrás de lugares…”

O que acabaram de ler foi dito por Sílvia Ramos, presidente da distrital de Beja do CDS-PP, o partido de Paulo Portas, que vai para o governo de braço dado com o PSD de Passos Coelho (o homem do pote), numa entrevista à Rádio Pax, a emissora local.

sábado, 11 de junho de 2011

Cerejas

No Fundão o PR andou às cerejas. Disse que elas (as cerejas!) fazem bem a tudo, “até aos calos”. Antes, na campanha eleitoral, o novo PM trepou, em mangas de camisa, por uma escada acima, agarrada ao tronco de uma cerejeira, para ir papar cerejas. Está visto que ambos gostam de cerejar.

Nunca antes vira o PR com ar tão feliz, como aquele que as cerejas do Fundão lhe desenharam no rosto. Até piadas disse: na sua juventude gastava o dinheiro do almoço em cerejas, “e depois ficava sem almoço”, mas também se livrava dos calos. Livrar por livrar, também se livrou de Sócrates, e aí estará a raiz do seu ar feliz.

Menos feliz estará a maioria esmagadora dos jornalistas, comentadores e politólogos. É que, com a saída de Sócrates, esta gente perdeu o seu ódio de estimação. Pacheco Pereira, Pulido Valente, Manuel Maria Carrilho e Rebelo de Sousa já andam às voltas, como às voltas andam, igualmente, indivíduos que, recentemente, se transformaram em comentadores do DN (o seu director incluído). O que acontecerá às primeiras páginas do SOL?

Tenho, em especial, pena dos jornalistas da SIC. Perderam o ar combativo, aguerrido, sempre de espada afiada. Agora é vê-los nos telejornais da estação de Pinto Balsemão: Quais cordeiros cirandando em torno de Passos Coelho e Paulo Portas, pedindo desculpa por insistirem nas perguntas, todos com ar de gente bem-educada, respondendo com silêncios aos silêncios dos dois políticos, pondo-se sempre a jeito, de microfones estendidos.

Apesar disso Passos Coelho preferiu confiar em gente lá de fora (ingrato!) e contratou a brasileira Alessandra Augusta, especialista em marketing, para pensar e promover a sua campanha eleitoral. Em declarações ao Expresso Alessandra disse que “Passos foi o primeiro político a ganhar eleições dizendo o que pensa”. Extraordinário!

A euro-deputada socialista Ana Gomes falou de submarinos e cabeleiras postiças para dizer que Paulo Portas não devia estar no próximo Governo. Portas já contratou Garcia Pereira (causídico e eterno candidato do MRPP às presidenciais e legislativas) para investigar se há motivo para processar a euro-deputada. Ana Gomes precipitou-se. Aquele tipo de ataques era eficaz contra Sócrates, que foi assim a dar para o homossexual, engenheiro feito ao Domingo, e embrulhado em corrupções no Freeport e no Face Oculta. Quanto a Portas, toda a gente o tem visto, pelas televisões, a beijar calorosamente as peixeiras (com todo o respeito que as peixeiras me merecem) e a apertar, solidamente, as mãos aos agricultores. Ana Gomes não viu que está ali um estadista de beijo pronto e mão cheia!?

Ouvi o discurso do PR no 10 de Junho. Fiquei com uma dúvida que me angustia: Será que era a mesma pessoa que foi ministro das Finanças e do Plano, entre 1980 e 1981, e PM de 1985 a 1995 (10 anos!), e já com um mandato presidencial!?

sexta-feira, 10 de junho de 2011

As Armas de Portugal

A propósito do Dia de Portugal escrevo hoje com palavras da Acácia Rubra, roubando-lhe o seu post, incluindo o título, que aqui reproduzo:

“Vivi a criancice e parte da juventude em África.

E há coisas pequenas-grandes, que não consigo esquecer. Estou a voltar

irremediavelmente ao arcaz das minhas vivências.

Todos os dias, com a pontualidade britânica própria dos actos que se assumem, se

elevava ou se descia no e do poste a Bandeira Nacional. A parada formada, a

bandeira rigorosamente dobrada, o som do cornetim...

Quem passava atrás da vida a pé, parava e tirava o chapéu, se o trazia. Os que de

carro seguiam, desligavam o motor, saíam e todos, adultos e crianças, com respeito

sentido, se perfilavam enquanto durava a cerimónia.

Tudo isto porque há dias, numa conversa daquelas que, depois do jantar, é propícia

e porque ia haver um jogo com a Selecção Nacional, comentei que o nosso Hino era

empolgante. Contrapuseram que a letra era passadista, que o apelo às armas estava

descontextualizado, que a música sim...

Argumentei que a visão histórica que o Hino nos dá é o ponto de passagem para a

outra margem. Que AS ARMAS terão de ser as da

EDUCAÇÃO, EMPREGO, CULTURA, SAÚDE e LIBERDADE.

Essas possibilitarão "contra os canhões marchar, marchar".”


A todos um bom fim-de-semana prolongado.


segunda-feira, 6 de junho de 2011

Eleições - Dias difíceis pela frente

Após ter assumido, por inteiro, a derrota eleitoral do Partido Socialista, José Sócrates anunciou a demissão do cargo de Secretário-Geral do seu partido. Fê-lo num discurso digno, não ao alcance da maior parte dos líderes políticos actuais. Recordo-me do triste discurso de vitória de Cavaco Silva nas últimas presidenciais.

Com a preciosa ajuda do BE e do PCP, que fizeram de Sócrates e do PS os alvos a abater, a direita conquistou o poder. Passos Coelho vai para São Bento e para que não restem dúvidas quanto ao que pretende fazer leva com ele Paulo Portas.

Viu-se no que deu a “clarividente” estratégia do BE, desde a apresentação da célebre moção de censura – os eleitores viraram-lhe as costas, reduzindo a sua presença parlamentar de 16 para 8 deputados, relegando-o para o último lugar das representações políticas na Assembleia da República. Não foi para mim surpresa. Surpresa tem sido, até agora, a expressão eleitoral do BE. É que, francamente, nunca entendi o voto dos Portugueses, não num partido, mas, de facto, num bloco de, entre outros, trotskistas, marxistas-leninistas e dissidentes do PCP! Talvez tenha sido um voto não de ideologia mas de simpatia em figuras como a da socióloga Ana Drago. Talvez…

Ideológico e seguro foi o voto na CDU. Aumentou ligeiramente o seu eleitorado (chegou-se aos 8%) e reconquistou o deputado por Faro, perdido há 20 anos. Passou a ter mais um assento parlamentar (16), o dobro dos do BE. A família comunista tem sabido, com êxito, passar de geração em geração, os ideais do partido de Álvaro Cunhal, e agora de Jerónimo de Sousa, dando-se ao luxo de levar à boleia o PEV. A sua quota eleitoral é sólida e inamovível. É um forte e indispensável partido de protesto na nossa Democracia. Pena é que o PCP não perceba que sem um PS forte a direita estará sempre no poder.

Agora, dada a maioria parlamentar absoluta ao PSD e CDS, os Portugueses têm pela frente dias difíceis, de grande dureza. Penso que não se terão apercebido, claramente, do que os espera.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Eleições - O meu voto

Daqui a umas horas entramos em dia de reflexão.

Deixou-nos Fernando Pessoa:

“Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,

Define com perfil e ser

Este fulgor baço de terra

Que é Portugal a entristecer,

Brilho em luz e sem arder,

Como o que fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.

Ninguém conhece que alma tem,

Nem o que é mal nem o que é bem.

(Que ânsia distante perto chora?)

Tudo é incerto e derradeiro.

Tudo é disperso, nada é inteiro.

Ó Portugal, hoje és nevoeiro…

É a Hora!”

Aos meus amigos e leitores digo, também: É a Hora.

Não vos escondo: O meu voto vai para o PS.

E agora que o Carmo e a Trindade me caiam em cima. Se assim for, pedirei, de novo, palavras emprestadas a Fernando Pessoa:

“Só quem da vida bebeu todo o vinho,

Dum trago ou não, mas sendo até ao fundo,

Sabe (mas sem remédio) o bom caminho;

Conhece o tédio extremo da desgraça,

Que olha estupidamente o nauseabundo

Cristal inútil da vazia taça.”

Deixo a todos, sendo ou não, como eu, gente de Esquerda, um grande abraço e o desejo de que depois das eleições a vida dos Portugueses não fique pior.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Eleições

Pelas reportagens televisivas e pela leitura dos jornais on line, tenho seguido a campanha eleitoral dos partidos políticos.

Como jornalista que sou, embora já não no activo porque a idade fez de mim (contra vontade) um pensionista, sinto um arrepio percorrer-me a espinha com a despudorada manipulação a que assisto.

Para os jornalistas da SIC, da TVI, do DN, do Público, do Expresso, do Sol e, ultimamente, também do i, a campanha mais não é do que uma luta de Passos Coelho (PSD) e Paulo Portas (CDS) contra um espertalhão e tenebroso ser que se chama José Sócrates (PS). Para eles o PSD já ganhou as eleições e vai formar governo com o CDS. Os outros, BE e CDU não contam, não existem, por pertencerem à “segunda divisão política”, como recentemente disse o actual director-adjunto de Informação da RTP, Victor Gonçalves, recentemente importado dos Estados Unidos onde era correspondente da estação pública.

Hoje mesmo Miguel Sousa Tavares, até agora comentador residente da SIC, vestiu-se de repórter e foi para a rua acompanhar a campanha do PSD. Na reportagem incluiu uma entrevista a Passos Coelho (que considerou “surpreendentemente calmo”) - a mais dócil, amigável e submissa que vi fazer-se a um político.

Há dois dias o jornal i levou à sua capa, delas fazendo manchete, palavras de Júlio Castro Caldas garantindo que José Sócrates devia ter sido constituído arguido no caso Freeport! Para os que não se recordam, Castro Caldas é jurista e foi ministro da Defesa no governo do socialista António Guterres. Nunca foi convidado para qualquer cargo ministerial nos dois governos de José Sócrates. Ficou à espera, até agora, a três dias das eleições, para divulgar a sua opinião de que o i fez manchete!

Os meus leitores e amigos sabem que sou um homem de Esquerda. É como tal que emito as minhas opiniões, susceptíveis, naturalmente, de serem contraditadas por quem não pense como eu. Tenho para mim, tal como José Saramago, que “as verdades únicas não existem. As verdades são múltiplas. Só a mentira é global”. Dito isto.

Pelo que tenho ouvido, visto e lido, concluo que os Portugueses parecem não saber e não quererem perguntar para onde os cânticos da direita os querem levar.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

De Regresso

Não vivemos o que sonhamos, mas o que a vida de nós faz. E a vida corre por linhas sinuosas, que gratuitas não são. Por cada palmo andado há sempre um espaço que se atravessa a querer barrar ou, pelo menos, a dificultar o percurso. Então, nesses instantes, a máquina que move a bolha em que habitamos entra em sobressalto, desassossega-se. As palavras remetem-se ao silêncio, os gestos à quietude, o pensamento recolhe-se. A vida parece ganhar um hálito diferente.

É, afinal, a condição dolorosa cobrada pela existência de sermos.

Passei por um desses momentos. Daí a ausência.

Tenho um coração que sangra, pulsa alto e pensa. E porque assim é, voltei a sonhar a vida, em vez de apenas a viver. Agarro, de novo, as minhas horas, com fome de extensão do tempo. Reencontro nas palavras as ressonâncias perdidas. Volto a puxar o sol e a ouvir a chuva cair gota a gota.

Regresso com um abraço a todos, agradecendo, sensibilizado, os comentários deixados.


sábado, 7 de maio de 2011

Contas do Arco da Troika!

"Mas em Lisboa dirá o guarda-livros a el-rei, Saiba vossa

majestade que na inauguração do convento de Mafra se

gastaram, números redondos, duzentos mil cruzados, e el-rei

respondeu, Põe na conta, disse-o porque ainda estamos no

princípio da obra, um dia virá em que quereremos saber, Afinal,

quanto terá custado aquilo, e ninguém dará satisfação dos

dinheiros gastos, nem facturas, nem recibos, nem boletins de

registo de importação, sem falar de mortes e sacrifícios, que

esses são baratos. "

(In, "Memorial do Convento", de José Saramago)

A todos um bom Domingo, que é como quem diz não percamos a esperança.

domingo, 1 de maio de 2011

Dia da Mãe

A última vez que te vi estavas deitada, serena, dada ao sono de que não se desperta. Olhei-te. Invadiu-me uma raiva maior que a dor. Foi dela que eu nasci, disse para mim, em silêncio, agarrado à solidão que se me chegou. Não chorei. Tocaram-me no ombro. Vi taparem-te. Fizeram-me um sinal.

Acompanhei a tua viagem até ao local em que te desceram e te cobriram com uma terra diferente da que te vira nascer. Segurei as lágrimas que teimavam em soltar-se. Aquela mágoa não a quis partilhar. Era só minha! Sofri-a na alma e no meu coração que sangrou.

No suco dos meus olhos vi, então, partes da nossa vida. A tua foi longa, chegaste perto dos 100. Lembrei-me que tempos antes te fôramos visitar, já tu vivias num mundo longe do nosso. Oferecemos-te uma caixa de bombons. Deliciaste-te, eu vi, mas as palavras que então disseste já nada tinham a ver connosco. Estavas noutro local, provavelmente num paraíso para que te transportaras, onde contigo vivias, e nós não habitávamos.

Recordei-me, também, do muito que me ensinaste. Um dia, era eu ainda um catraio que jogava descalço com bola de trapos, fui fazer-te queixa de uma “malandrice” que o meu irmão me fizera – zangado, rasgara-me a camisa. Soubeste da atitude dele, vi nos teus olhos que não gostaste, e logo pensei agora é que ele vai ver! Atiraste-lhe umas palavras, de que já não me lembro, e ele voltou para o quintal. A mim deste-me um ralhete, apontaste-me o dedo e disseste: não se denuncia um irmão!

Aprendi para todo o sempre! Como para sempre em mim ficaram os carinhos das tuas mãos fagueiras, nos tempos em que caminhava pela minha meninice.

No momento em que a última pá de terra sobre ti caiu, subiu um eco trazendo-me à memória silêncios. Silêncios meus, hoje cheios de palavras que gostaria de te ter dito.

Não sei por onde andas agora. Pouco importa. Mas se te voltar a encontrar, dir-te-ei: Mãe, gosto muito de ti.

Beijo a tua memória.

(Porque a memória permanece viva, reponho o post do mesmo dia de 2010. A todas as mães desejo um bom dia.)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

E vão dois anos!

Nos dias passados nas terras do Sul ventou, choveu e trovejou. Alturas houveram em que pareceu ir o céu cair. Mas, não! Fortes, como são, os pilares do Tempo aguentaram-se com a algazarra lá de cima. Num desses dias o calendário disse-me estarmos a 24 de Abril. Olha! Faz hoje dois anos que nasceu o Conversas Daqui e Dali, corria a tarde de 24 de Abril de 2009. Dois anos no mundo virtual da bloga, vendo surgir amizades, gerarem-se afectos e proporcionarem-se encontros e desencontros através do sortilégio das palavras, embora nalguns casos apenas de bocados delas. O número de seguidores inscritos muito me honra e sensibiliza. A todos, muito obrigado!

Como os meus amigos e visitantes sabem, nesta cubata habitam três personagens: O Mwata, o Viajante e eu próprio. Pois quero dizer-vos que no último dia 24, numa pausa do mau tempo, encontrámo-nos os três.

O Mwata apareceu-me com ar de recluso, que anda a comer o passado, mas de alma desconsolada, de angústia trajada, reclamando presente e futuro. Achei-o cansado, assim com ar de ser a quem se esgotaram as sensações inúteis, e de se ter chegado ao pôr-do-sol do esforço. Existir sem viver e sentir sem pensar é coisa de que não gosta. Por isso se demorou nas palavras quando mo disse.

Atarefado surgiu o Viajante, que nem sentar-se quis. Explicou, ele, andar há tempos numa lufa-lufa, à procura das palavras migratórias. Disse, também, que quando viaja pelo que o rodeia pouco mais encontra do que uma ténue luz quase apagada. E acrescentou estar cansado da palavra dos homens e dos homens sem palavra. Ainda lhe ouvi o que se me afigurou ser a palavra encruzilhada. Quase o senti como estando num desterro, tal a inquietação de estar longe que denotava.

A noite chegou-se. Perguntaram-me ambos, em uníssono: E tu?

Não era suposto haver tal atrevimento. Como, porém, não é meu hábito deixar perguntas no ar, respondi-lhes, não sem antes ter feito um gesto, daqueles que se fazem quando se desenha um sonho em busca de um alento:

Eu vou encostar-me a esta noite, idêntica às últimas, onde a Lua se esconde. Nela ficarei com o gesto guardado.


sexta-feira, 15 de abril de 2011

Breve ausência

Será uma ausência pequena. Espero estar de volta no próximo dia 27. Deixo-vos já com o toque da saudade, e…

Peço aos políticos que enterrem os canhões e os tanques da sua verborreia, e ponham de lado o mujimbo soez.

Peço aos políticos que deixem que a vida dê vida, a vida que há no povo que somos.

E aos analistas, comentadores, politólogos e jornalistas que não transformem os canteiros onde pode a flor germinar, em espaços de terra queimada, como têm vindo a fazer.

Ordeno aos profetas da desgraça que recolham às suas grutas obscuras, por lá se deixando ficar.

E peço, peço aos cidadãos do meu País que façam as crianças sorrir e as flores desabrochar.

E peço, ainda, a todos, que no próximo Dia 25 de Abril coloquem, em cada janela, uma bandeira do Nosso País, e vão buscar à memória o “Grândola Vila Morena”.

É que…

Se de luto nos vestirmos

Se em vão nos acusarmos

Que vitória conseguiremos

Se vitória não acharmos?

(Inspirado no “Hino à Paz” do povo angolano – 1992)

quinta-feira, 14 de abril de 2011

A blogosfera está de parabéns!

Soube-o por mero acaso, não que ela mo tenha dito, tem a humildade dos grandes. A Maria João, amiga virtual da minha cubata, e comentadora, desde há quase dois anos, autora do blogue Pequenos Detalhes, vai publicar o que creio ser o seu primeiro livro de poesia, com o título “Do Outro Lado do Espelho”. O lançamento será daqui a um mês (14 de Maio), pelas quatro da tarde, no Auditório do Campo Grande, em Lisboa. A apresentação estará a cargo da escritora Mel de Carvalho, também ela nossa companheira na bloga (Noite.De.Mel) e da jornalista Otília Leitão. A editora é a Lua de Marfim.

Conheço muitos dos poemas, e outros textos, que ela tem editado no seu blogue. É-me, por tal, fácil adiantar que o seu livro será um êxito.

Não quis deixar, desde já, de vos dar esta notícia, sugerindo aos que puderem a ida ao lançamento. Quando um bloguista publica é motivo de alegria.

Muitos parabéns, Maria João.

E a todos vós, amigos e visitantes, peço: vão ao blogue da Maria João dar-lhe um abraço.

Devolvo à terra

O saber sedento da água cristalina
A fecunda criação verdejante
A fresca brisa envolta em neblina

Devolvo à vida

A utopia presa em voo alado
O lamento feito choro suplicante
O presente inteiro gasto em passado

Devolvo-te meu amor

O soneto febril, verbo imperfeito
A carícia colada à pele, viajante
O desejo que esculpiste no meu leito

Devolvo-me

Ao prazer de mergulhar em seiva minha
À recusa de saber-me degradante
À triste sorte de me sentir sozinha

Depois…

Lanço a alma ao mar e me liberto
Num acto insano, demente
De querer sorver-te mundo, tão impuro
Renascendo na maré, sentindo gente

(Maria João, Janeiro de 2010)


terça-feira, 12 de abril de 2011

Confrangedor

Passos Coelho andou, durante semanas, a mentir ao País, dizendo que soubera do PEC4 apenas por um telefonema. Em entrevista a Judite de Sousa (TVI) revelou, agora, que fora a São Bento a pedido do PM e que este lhe revelou as medidas que apresentaria a Bruxelas. A comunicação social continua a dar provas de estar bem amestrada. Não se encontra uma única notícia (como noutros casos, sistematicamente, em relação a José Sócrates) a dizer que o presidente do partido de Cavaco Silva mentiu.

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Os partidos da Direita doméstica, mais o PSD do que o CDS, disseram que o último Congresso do PS não passou de um “grande comício”. Numa entrevista à RTP Mário Soares juntou-se-lhes e disse o mesmo. Nessa mesma entrevista, como poderão ler, perguntado sobre se Passos Coelho daria num bom governante, responde: "Isso é como os melões, só depois de abertos é que se percebe"!

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A última aquisição do PSD (Fernando Nobre) tem suscitado alguns comentários. O irrequieto social-democrata Morais Sarmento diz que o presidente da AMI é um “activista” e não tem perfil para Presidente da Assembleia da República. Mário Soares mostrou-se surpreendido e põe algumas “reservas” à capacidade de Nobre para exercer tal cargo, embora nas últimas presidenciais tenha considerado que ele “daria um bom Presidente da República”!

Levando à letra o que aqui se pode ler, Fernando Nobre terá feito um grande negócio!

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Felícia Cabrita, jornalista do SOL, publicou um livro. Título: “Passos Coelho – Um Homem Invulgar”. Escreve a autora, a dada altura, referindo-se ao presidente do PSD: “…os suspiros que o rapaz de cabelo loiro e olhos claros despertava nas raparigas do liceu…”!


domingo, 10 de abril de 2011

Há que abrir a janela....

Os portugueses conheciam o seu trabalho humanitário à frente da AMI, e, antes, nos Médicos Sem Fronteiras. Talvez por isso, e porque entenderam a sua como uma voz de Esquerda ao lado dos desprotegidos, muitos lhe deram o seu voto quando Fernando Nobre concorreu às últimas eleições presidenciais. Para tal contribuiu, também e muito, o apoio de Mário Soares, cuja filha, Isabel, chegou a intervir num comício de apoio ao então candidato presidencial.

Outros portugueses, contudo, quiçá estranhando a viragem para a política, interrogaram-se: Quem é este homem?

O mistério parece esclarecido.

Fernando Nobre abandonou os braços do antigo Presidente da República, para se atirar para os do actual presidente do PSD, Pedro Passos Coelho.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Eles cazuzam...

Picada de marimbondo

Junto da mandioqueira

perto do muro de adobe

vi surgir um marimbondo

Vinha zunindo

cazuza!

Vinha zunindo

cazuza!

Era uma tarde em Janeiro

tinha flores nas acácias

tinha abelhas nos jardins

e vento nas casuarinas,

quando vi o marimbondo

vinha voando e zunindo

vinha zunindo e voando!

Cazuza!

Marimbondo

mordeu tua filha no olho!

Cazuza!

Marimbondo

foi branco que inventou...

(Ernesto Lara Filho - poeta e cronista angolano - Benguela 1932, Huambo 1977)

Bom fim-de-semana

quinta-feira, 7 de abril de 2011

A propósito...


Falando, um dia, sobre o “Ultimatum” por si escrito, disse o heterónimo de Fernando Pessoa:

«Esta guerra é a dos pigmeus mais pequenos contra os pigmeus maiores. O tempo mostrará quais são os maiores e quais os mais pequenos, mas, de qualquer modo, são pigmeus».

«Pouco importa quem ganha a guerra, pois será ganha, de certeza, por um imbecil. Pouco importa o que dela resultará, pois o que virá será seguramente imbecilidade.”

domingo, 3 de abril de 2011

O Reacender da esperança

Já quase tinha perdido a esperança, mas eis que ela se reacende.

Na sua última intervenção pública o Secretário-Geral do PS, ainda Primeiro-Ministro em gestão, disse que o problema com que o País hoje se confronta é a “agenda ideológica” que o PSD (e logo o CDS) pretende aplicar. Quer se goste ou não dele (admiro a sua combatividade, reconheço que nunca nenhum PM foi tão maltratado pela Comunicação Social como ele, mas não sou seu simpatizante), José Sócrates foi o único político da área da Esquerda a ter a lucidez de chamar os bois pelos nomes, ao falar da “agenda ideológica” do PSD.

Hoje, mais do que nunca, o futuro do País passa por uma definição clara e aprofundada dos pressupostos ideológicos dos partidos políticos, retirando-os, duma vez por todas, das fajãs da política. Sou dos que defende, sem tibiezas, que a vida da Democracia está na existência plural dos partidos políticos.

Como homem de Esquerda, não tenho dúvidas de que o que está em causa é a tal agenda escondida com que o partido de Cavaco Silva e Manuela Ferreira Leite, tendo como presidente Passos Coelho, pretende transformar o nosso Estado Social num ser sem vida. Privatizar o ensino, a saúde, a segurança social, tudo o que o grande capital quiser, incluindo a Caixa Geral de Depósitos (pilar da sustentabilidade financeira do Estado), entregando-a ao capital estrangeiro. E vai mais além, ao pretender retirar da Constituição o despedimento sem justa causa, criando uma geração mais à rasca do que a actual.

Perante este quadro, porque digo que a esperança se me reacendeu?

Porque voltei a acreditar que a Esquerda (PCP, BE e PS), possa ser sacudida pelas palavras de Sócrates, pondo de lado dogmatismos, obsessões e vaidades, e encontrar um caminho, por muito difícil que seja de escavar, que retire o País do rumo para o abismo traçado pelo PSD.

Caminho que deverá passar pela criação de um novo modelo económico assente no desenvolvimento, na reactivação do sector produtivo, na criação de emprego, no combate à pobreza, distribuindo mais equitativamente a riqueza criada. Por outras palavras, pôr o País a produzir aquilo com que se enchem as prateleiras dos super-mercados, e, também, a exportar.

Claro que é um sonho (será!?), mas como eu gostaria de ver Portugal dizer à Europa conservadora e trauliteira: Vamos pagar a dívida, sim, mas, antes, vamos tratar do nosso povo!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Cântico de Amizade


A minha cubata foi distinguida, honrada, com este selo. A Fê blue-bird, uma amiga virtual, é senhora dum blogue onde sempre se encontra a poesia, acrescida à sensibilidade dos seus textos, versando, a mais das vezes, a realidade em que vivemos. Os poemas que partilha com quem a visita, são autênticas pérolas por ela recolhidas do sonho dum mundo onde os sonhos são a vida, e, habitam os poetas. Eu, que não sou poeta, tenho o direito de gostar de poesia. E gosto! Utilizando um linguarejar da terra africana onde nasci, entro por ela, a poesia, como um garfo desatinado num arroz de cabidela à procura das miudezas. Sempre que toco num poema tremem-me os dedos, talvez receosos de se encontrarem com as confidências da vida de que os poetas nos querem falar. Amiga Fê muito obrigado pela honra que me concedeu ao afirmar-se amiga da minha cubata. Agora ofereço-lhe, a si, e a todos os amigos que por aqui passarem, este poema de Alda Lara, poetisa angolana (Benguela, 1930 – Cambambe, 1962).

Quadras da minha solidão

Fica longe o sol que vi,
aquecer meu corpo outrora...
Como é breve o sol daqui!
E como é longa esta hora...

Donde estou vejo partir
quem parte certo e feliz.
Só eu fico. E sonho ir,
rumo ao sol do meu país...

Por isso as asas dormentes,
suspiram por outro céu.
Mas ai delas! tão doentes,
não podem voar mais eu...

que comigo, preso a mim,
tudo quanto sei de cor...
Chamem-lhe nomes sem fim,
por todos responde a dor.

Mas dor de quê? dor de quem,
se nada tenho a sofrer?...
Saudade?...Amor?...Sei lá bem!
É qualquer coisa a morrer...

E assim, no pulso dos dias,
sinto chegar outro Outono...
passam as horas esguias,
levando o meu abandono...

(Desejo a todos um bom fim-de-semana)

quinta-feira, 31 de março de 2011

Um PEF e um PES contra o PEC

Foram hoje publicadas no Diário de Notícias as linhas gerais do programa de governo (PG) do PSD, elaborado por uma equipa comandada por Eduardo Catroga, que foi ministro das Finanças do III Governo de Cavaco Silva, entre 1993 e 1995. Pode ler-se que o PG nasceu de “inputs internos (trabalhos do GEN, da CRI e do IFSC) e de inputs externos (Thinks Tanks e contributos de personalidades a titulo individual), bem como das conclusões a actas do relevante processo de actualização do Programa do Partido.” A equipa de Catroga assentou o PG em cinco pilares. Neles se propõe um PEF e uma ACCE, e se fala do SPA, do SEE, das PPP e das IPSS. Diz o documento que se o PSD chegar ao Governo aplicará, com urgência, um PEF (Programa de Estabilização Financeira) e um PES (Programa de Emergência Social).

Estou esclarecido! Ó da guarda!

sexta-feira, 25 de março de 2011

De quando o tempo foi assim


É um homem sem dentro, que ali está sentado, a olhar o mergulho do Sol no outro lado da mata.
Desgovernado o suor corre-lhe da testa, inunda-lhe os olhos forçando-lhe as lágrimas. Estas chegam-se-lhe aos lábios neles deixando não o habitual sabor da vida, mas um saibo a fel.

Revive a emboscada. O metralhar das armas, o silvo das balas, a gritaria. Depois o silêncio e o levantar servindo-se da arma como um bordão de fogo sujo. “Não há baixas!”, ouve.
Dá um passo. Quase tropeça num corpo estendido. Baixa-se. Vê uns olhos abertos de medo, un tronco descoberto, umas pernas vestidas de calças esfarrapadas e uns pés nus de planta grossa e encarquilhada denunciando muitas rugas de terra percorridas. Aproxima-se um pouco mais. O corpo diz-lhe:
“Já mataste tudo o que tinhas dentro de ti. Precisas, também, de me matar?”.
Olha, de novo, os olhos de medo, que agora choram. Levanta-se e fala-lhe:
“Vai!”. Deixa-o sair, correndo capim fora.
Já o Sol se pôs. A noite desenha a silhueta das árvores. Nunca, antes, as viu assim. Parecem ter medo do dia de amanhã. No céu as estrelas escrevem a fogo:
“Já mataste tudo o que tinhas dentro de ti. Precisas, também, de me matar?”.

terça-feira, 22 de março de 2011

Mentira, hipocrisia e não só!


Líbia

- Um avião militar F-15 Eagle, dos EUA, despenhou-se na Líbia, segundo fonte das forças armadas norte-americanas - .

(Informação da inglesa BBC e da francesa AFP)

Destapa-se a mentira: os norte-americanos estão mesmo directamente envolvidos nas operações militares, e não apenas em apoio de rectaguarda a partir de uma base sua na Alemanha.
Fica-se a saber, por outro lado, que se joga no tabuleiro da semântica: os norte-americanos despenham-se, os líbios são abatidos!
A reter (Os novos cruzados):
Afeganistão:
- Militares americanos posaram com civis mortos como “troféus” –.


sexta-feira, 18 de março de 2011

Para que os canteiros voltem a florir

Que as ruas sejam pequenas!


Do Mwata

Regresso após uma ausência forçada por um deslize de saúde, que não passou de uma, mais uma, pedrita no caminho. Coisa de somenos de mim não afastando a crença de que ainda há vidas para viver. As alheias, e a que é minha. Tão só! Simples, como a realidade de ser.
Retorno na véspera da noite em que a Lua será mais cheia, mais luminosa e estará mais próxima do que é costume. Encostar-se-nos-ás mais do que é seu hábito. Sempre imaginei a Lua como um ser plural, tal como o Universo. Talvez por isso acredite que ela agora se nos chegue um pouco mais, querendo ver o que por cá andamos fazendo, quiçá, também, querendo saber o que verdadeiramente somos. Que assim seja. Não será por isso que me agarrarei a novas crenças ou a diferentes ânsias.
Por mim, aproveitarei a oportunidade para lhe perguntar se ela, como eu, ouviu isto:
“Importa que os jovens deste tempo se empenhem em missões e causas essenciais ao futuro do país com a mesma coragem, o mesmo desprendimento e a mesma determinação com que os jovens de há 50 anos assumiram a sua participação na guerra do Ultramar”.
Extracto de um discurso feito na última Terça-feira, por ocasião dos 50 anos da guerra colonial, pela criatura que parte dos Portugueses recolocaram em Belém como PR.
O ditador que, qual pigmeu, foi derrubado por uma cadeira enjoada e cansada de o ter sentado, não diria melhor.
Acredita a juventude de agora que os jovens dos anos 60 (um milhão) partiam para a guerra colonial com DESPRENDIMENTO, felizes e contentes, como licença para matar no bolso, coração para serem mortos, e vontade de serem heróis, deixando ao abandono forçado famílias, estudos e trabalho?
À Lua vou perguntar, sobre o senhor de Belém:
Sabe ele o que é, que alma tem, se é que alguma tem?


sábado, 12 de março de 2011

À Rasca (2)

Terão sido trezentos mil, em protesto por todo o País.

Em Lisboa
Cartazes:

1) – Empunhado por uma jovem:
“Licenciada, em caixa do Pingo Doce”;
2) – Nas mãos de mulher com cara de mãe de família:
“ Jovens à rasca.
Pais à rasca.
Avós mega à rasca.
Famílias à rasca.”

Vozes:

1) – De homem com filho ao colo:
“Vamos ver o que podemos fazer pelo nosso país.”
2) – De mulher, a caminho de ser idosa:
“ Faz-me lembrar o 25 de Abril. Sabe-me bem!”.
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E agora?

sexta-feira, 11 de março de 2011

À Rasca

“Estou à rasca!”.
Gritará amanhã uma voz, na Praça Tahrir cá do burgo. Lá ao fundo, emergindo das águas gélidas do Tejo, uma outra responderá, cansada:
“À rasca estou!”.
A meio da avenida, um microfone captará o comentário: “É por isto tudo e muito mais que faz sentido esta manifestação pela demissão de toda a classe política, que julgo será no próximo Sábado.”
Num banco dos passeios alguém sentado parece indiferente. Mas, não o está. Vai olhando para quem passa e balbuciando: Será que estão a dormir? Será que haverá amanhã quem capaz seja, ou se atreva a escrever o que isto poderia ter sido?”.
Em Belém, o PR, que resolveu ter rasca na ossadura, apronta-se. Já lhe vestiram o avental emprestado, empunha o megafone alugado, e, ensaia frente ao espelho: “Avante jovens, foi por vós que me recandidatei, vamos a eles!”. Senta-se no sofá, olhos na TV, dando a mão à Dona Maria, que está, como sempre, a seu lado e não atrás, e, hoje, de folga dos netos.
Pergunta-lhe a senhora, baixinho: "Então...!?".
Responde-lhe ele, uma oitava acima: "Então o quê...!?".
Os deolindos interrompem a marcha, em compasso de espera…

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A propósito do dia de hoje, em que se assinalam 36 anos de uma data importante na História da Democracia Portuguesa, proponho aos meus amigos e seguidores a leitura do que escreveu Carlos Barbosa de Oliveira no seu "Crónicas do Rochedo".

sábado, 5 de março de 2011

Dia da Mulher

Por não querer juntá-lo ao dia de Carnaval, assinalo-o hoje republicando o meu texto (reescrito) de 2010.

A ti, que não precisas de ti para existires, e és, muitas vezes, flor sem haste.
A ti, que todas as manhãs saúdas o Sol sem nunca lhe dizer adeus.
A ti, que de impulso em impulso, de ousadia em ousadia, venceste sonhos e pesadelos, viveste amores alucinados, desvarios, paixões desfeitas, sentires sossegados e dores de mágoa, ultrapassaste fúrias, não te perdeste em abismos, e te fizeste árvore frondosa, guardiã de jardins de cores e sons.
A ti, guerreira teimosa, amazona de rédea solta, cavaleira do sol e da lua, da chuva e dos ventos, reverdescendo os trilhos por onde passas neles libertando o aroma da vida.
A ti, virgem, mulher, amante, menina velha, prostituta.
A ti, que rezas e maldizes.
A ti, que dás vida, trazes a aurora em voo livre. A ti, seiva.
A ti, que de sorriso florido, ou de beleza escondida em olhos tristes, qualquer que seja a cor da tua pele, o traço do teu rosto, e desenhem o que desenharem as linhas da tua mão, é vermelho o sangue que te banha as veias e te alaga o coração.
A ti, Mulher Menina da minha terra longínqua, que de filho às costas, moringa na mão e quinda à cabeça calcorreias descalça as passadeiras da ilusão procurando paz e pão.
A ti, virgula, pausa retemperadora, têmpera do aço em que a vida escreve o seu livro, fêmea prenhe, mãe do Universo, ponteiro das horas do Mundo.
A ti, que iluminas becos escuros, rasgas avenidas e alamedas, e percorres caminhos levando a vida pela mão.
A ti, que choras, sofres, morres e ressuscitas.
A ti, que danças em salão, no coreto, na rua, ou apenas no teu sonho.
A ti, sedução, amor, traição, ciúme, revolta, tempestade, saudade gritada, bonança.
A ti, flor e espinho, sabor dum instante, momento de fulgor, carícia dum presente, choro dum desencanto, esperança dum futuro.
A ti, companheira, mãe e avó, colo e seio de aconchego, ombro de repouso, porto de abrigo, sal de destemperos, ninho de amor. Presença sempre.
A ti, Mulher, ofereço a flor que ali está.

terça-feira, 1 de março de 2011

Libia

Armas de destruição massiva!?
A Europa diz-me muito preocupada…:

"Obviamente que esse assunto causa grande preocupação, para além de tudo o resto relacionado com a situação na Líbia, mas é preciso não esquecer que quando falamos de armas de destruição massiva, essa não é uma responsabilidade única da Europa, há outras organizações internacionais com competências mais adequadas para tratar do assunto, mas sim é uma situação muito preocupante".

Palavras da porta-voz da representante da União Europeia para a Política Externa, Maja Kocijancic, em declarações à Antena 1.


Onde é que eu já ouvi isto?
Cheira-me a esturro…!