domingo, 21 de junho de 2009

Domingo (Dia antes da Segunda)




Ardente

Meteu-se no léxico português chegado do latim “dies Dominicus”. Adoptado, passou a ser o “dia do Senhor”. O mesmo fizeram os castelhanos (vá lá, espanhóis), italianos e franceses tratando-o por Domingo, Domenica e Dimamche.
Os pagãos da Antiguidade, servos de vários senhores, também o tiveram, mas como “dia do Sol”, o astro a que chamavam rei, nobreza que igualmente nós lhe reconhecemos, até ver. Aos gentios foram outros povos, como o inglês e o alemão, buscar os seus Sunday e Sonntag, sempre como “dia do Sol”, neles pondo o Sun e o Sonn para que assim continuem a ser.

Como não tenho Senhor nem astro que me monopolize atenções, também gosto da Lua, da Terra em que estamos, e até de Marte por me seduzirem os seus mistérios, para já não falar de Plutão que anda perdido lá pelos confins. Como não tenho nada disso, estava eu a dizer, chamo-lhe apenas Domingo, tão só!
Podia ter chegado hoje com nuvens escuras a chover, como na semana passada. Mas veio ao contrário: quente e cheio de Sol. Saímos, não para passar o Domingo no Parque, como o Gilberto Gil, mas para ir ao shoping, perdoe-se-me a intrusão em léxico alheio.
Sem sombras de parque, acolheu-nos a sauna da rua. Só o ar condicionado do carro pôs ordem no destempero.
Comidos o cabrito assado no forno e a espetada de cherne (para esquecer, salvou-se a cerveja bem tirada e fresca), numa ala mais fresca do restaurante, fomos às compras para pôr em dia a prenda de aniversário do filho mais velho. Tivemos mais sorte do que com o almoço.
Depois das mércolas, nas voltas que demos cruzámo-nos com gente, não muita, com ar enfastiado a começar pelo empregado brasileiro que nos atendeu onde fomos tomar o café, como se um favor nos estivesse a fazer! Só faltou pedirmos desculpa pelo incómodo!
Será da crise ou do calor? Ou juntaram-se ambos para nos esquentarem a cuca? Lá fui eu, outra vez, a casa alheia!

1 comentário:

Raquel disse...

Oi, Carlos!

Adoro os seus textos... Gosto muito do jeito que vc escreve, com intimidade, sem medo e com muito a dizer entre o cotidiano e seus percalços.

Tem sensibilidade, conhecimento e indignação.

E domingo, realmente, não tem definição...

Abraços de cá.
Raquel.